Nova York avalia devastação causada por tempestade Sandy

Fenômeno meteorológico deixa rastro de destruição por boa parte da cidade e em outras regiões do nordeste dos EUA.

Caio Quero, BBC

30 de outubro de 2012 | 14h33

Depois de uma noite de tensão, autoridades e moradores de Nova York avaliam nesta terça-feira os estragos causados pela supertempestade Sandy, que deixou um rastro de destruição por boa parte da cidade e em outras regiões do nordeste dos Estados Unidos.

Embora o vento e as fortes chuvas tenham cessado após a tempestade oficialmente ter deixado a área de Nova York, o trabalho para tentar restabelecer a normalidade ainda deve levar alguns dias. "Os desafios dos próximos dias serão enormes", disse o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, em entrevista coletiva no final da manhã de terça-feira.

De acordo com Bloomberg, pelo menos dez pessoas morreram em decorrência da tempestade na cidade. "Este número pode aumentar", disse. "Foi uma tempestade devastadora, talvez a pior que já sofremos."

Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou Nova York, Long Island e oito condados de Nova Jersey como áreas de desastre, em uma medida que facilita a destinação de verbas federais para a região.

Áreas próximas à costa, no Brooklyn, Queens, Staten Island e no sul de Manhattan foram as mais afetadas por inundações. Por toda a cidade, árvores foram derrubadas e casas e prédios, danificados. Escolas permanecerão fechadas na terça e na quarta-feira e parques estão interditados. Bloomberg pediu que as pessoas fiquem longe de praias e regiões costeiras.

Diversos incêndios foram registrados pela cidade. No bairro do Queens, o fogo destruiu dezenas de casas. Mais de 150 bombeiros foram destacados para tentar controlar a situação.

Eletricidade

Em seu perfil no Twitter, a prefeitura de Nova York pedia que as pessoas permanecessem em suas casas na manhã desta terça-feira, alertando para o perigo de queda de galhos e choques elétricos devido a fios caídos.

Mais de 650 mil pessoas ficaram sem luz em Nova York e no condado de Westchester, segundo a Con Edison, companhia que administra o sistema elétrico. "Essa é a maior interrupção relacionada com uma tempestade", disse o vice-presidente de Operações Elétricas, John Miksad. Durante o furacão Irene, no ano passado, 200 mil sofreram com falta de energia.

Uma das regiões mais afetadas pela falta de energia elétrica foi o sul de Manhattan, onde cerca de 193 mil pessoas ficaram sem luz. Em entrevista ao canal de TV local NY1, Alfonso Quiroz, representante da Con Edison, afirmou que pode levar alguns dias para que a eletricidade seja restabelecida.

Transportes

O sistema de trens, metrô e ônibus, que havia sido suspenso já na noite de domingo, continua inoperante nesta terça-feira. Imagens de canais de TV locais mostram os trilhos de algumas estações inundados e repletos de lixo. No final da manhã, algumas pontes começaram a ser reabertas para o trânsito de carros.

Em um comunicado divulgado nas primeiras horas desta terça-feira, Joseph Lhota, presidente da MTA, empresa que administra os transportes públicos na região metropolitana de Nova York, afirmou que este é o pior desastre em 108 anos de história do metrô.

"O sistema de metrô de Nova York tem 108 anos, mas nunca teve de enfrentar um desastre tão devastador como o que tivemos na noite passada. O furacão Sandy causou estragos em todo nosso sistema de transporte", disse Lhota.

Segundo ele, pelo menos sete túneis de metrô sob o East River, que separa Manhattan do Brooklyn e Queens, foram inundados. Ainda não há previsão de retorno à normalidade. Segundo a prefeitura, o restabelecimento pode levar entre quatro e cinco dias. Para tentar amenizar o problema, táxis foram autorizados a pegar diversos passageiros ao mesmo tempo.

O prefeito Michael Bloomberg ainda afirmou que os aeroportos na região metropolitana de Nova York estão fechados, sem voos partindo ou chegando. Segundo ele, as pistas de pouso foram inundadas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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