Spencer Platt/Getty Images/AFP
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Nova York barra refeições em locais fechados de novo

Governador do Estado determina fechamento de restaurantes e bares; setor reclama e pede ajuda financeira 

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2020 | 21h00

NOVA YORK - Refeições em ambientes fechados serão novamente proibidas em restaurantes de Nova York a partir de segunda-feira, disse o governador Andrew Cuomo nesta sexta-feira, 11. A medida reverte um processo de reabertura da cidade e, segundo as autoridades, tem o objetivo de tentar deter a escalada de uma segunda onda de infecções por coronavírus

 

A decisão é um forte golpe para o setor de restaurantes da cidade, um pilar econômico vital, que tem lutado para se manter em pé em meio às restrições sanitárias e uma recessão econômica nacional.

Cuomo reconheceu que sua decisão trará mais dificuldades ao ramo e pediu aos congressistas federais que consigam um pacote de ajuda aos empresários. Os líderes do Congresso, porém, ainda não conseguiram até agora chegar a um acordo sobre um novo projeto de estímulo econômico.

Restaurantes e bares, disse Cuomo, são “uma das poucas áreas em que achamos que podemos realmente fazer a diferença” para evitar novas contaminações.

Os donos de restaurantes protestaram. Andrew Rigie, diretor de um sindicato ligado ao setor de turismo de Nova York, disse em um comunicado que a decisão “está em desacordo com os próprios dados do Estado que foram apresentados como determinantes dessas decisões, e será a gota d'água para o fechamento de mais restaurantes e a demissão de funcionários”.

Rigie também pediu mais apoio econômico para restaurantes e bares em dificuldades, dizendo que o fim das refeições em ambientes fechados “prejudicaria seriamente” a sobrevivência desse tipo de negócio na cidade.

Depois de um longo período fechados, os estabelecimentos que servem comida puderam reabrir suas portas, de maneira controlada, no final de setembro. Como os casos de covid-19 aumentaram nas últimas semanas, Cuomo hesitou em impor restrições generalizadas como as implementadas em março, quando limitou o serviço de restaurantes e bares somente para serviço de entrega.

De acordo com dados oficiais, a cidade registrou na quinta-feira pelo menos 85 novas mortes por coronavírus e 10.257 novos casos. Na semana passada, houve uma média de 10.048 casos por dia, um aumento de 72% em relação à média de duas semanas antes.

Cuomo disse que a abordagem da gestão mudou para seguir a orientação de epidemiologistas. Antes do anúncio de hoje, o governador havia adotado a estratégia de alertar a população sobre festas e reuniões internas. Ele minimizava os riscos de refeições em locais fechados, mesmo com evidências crescentes sugerindo que era uma fonte significativa de disseminação do vírus.

Conforme as autoridades de saúde do Estado de Nova York, dos 46 mil casos registrados entre setembro e novembro, 1,43% podem estar ligados a restaurantes e bares, número bem inferior aos 73,84% que teriam elo com reuniões privadas ou festas. Segundo os números oficiais, 7,81% dos pacientes foram infectados no próprio sistema de saúde.

Cuomo não anunciou novas restrições a restaurantes e bares no restante do Estado, que foram autorizados a reabrir e operam com 50% da capacidade máxima em ambientes fechados, em comparação com 25% na cidade de Nova York. / NYT

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