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Jeenah Moon/REUTERS
Jeenah Moon/REUTERS

Nova York começa a mostrar sinais de recuperação

Restaurantes e hotéis voltam a funcionar com ajuda de plano econômico, mas normalização total pode levar anos

Patrick McGeehan, The New York Times, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2021 | 05h00

NOVA YORK - O Yankee Stadium deu boas-vindas aos fãs na quinta-feira, 1, e alguns hotéis de luxo estão abrindo as portas. Mas uma recuperação generalizada da covid-19 pode levar anos.

Para a economia de Nova York, os últimos 12 meses representaram um inverno longo e brutal. A pandemia forçou o fechamento da maioria dos negócios da cidade, eliminou centenas de milhares de empregos e afastou dezenas de milhões de turistas.

Sob muitos aspectos, a maior cidade do país sofreu as maiores perdas e enfrenta uma das mais longas e íngremes subidas de volta ao topo. Os espetáculos não retornarão aos palcos da Broadway antes do Dia do Trabalho, e muitos trabalhadores demorarão meses para se deslocar ao escritório e comprar o almoço na lanchonete da esquina - se é que vão voltar.

Mas, pela primeira vez desde que a cidade entrou em lockdown, no final de março passado, há sinais palpáveis de renascimento, alimentado pela crescente aplicação de vacinas contra a covid-19 e um iminente jorro de ajuda federal para a prefeitura, as escolas, o sistema de trânsito, os restaurantes e os teatros.

Brotos de otimismo nascente surgem quase diariamente: o Mandarin Oriental Hotel, que tem vista para o Central Park, chamou de volta os trabalhadores para uma reabertura nesta semana. O Union Square Café, popular restaurante de Manhattan que estava fechado havia meses, voltou a servir refeições aos clientes. E os fãs estavam nas arquibancadas quando o Yankees estreou sua temporada no Bronx, embora limitados a um quinto dos assentos.

As perspectivas da cidade melhoraram como resultado do mais recente pacote de estímulo, dizem analistas financeiros, o qual incluiu cerca de US$ 6 bilhões em ajuda direta ao governo municipal, US$ 6,5 bilhões para a Autoridade de Transporte Metropolitano e U $ 4 bilhões para as escolas públicas da cidade.

“Tem muito dinheiro que vai entrar muito rapidamente aqui”, disse Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics. “Vai dar grande destaque a lugares que foram mais ou menos fechados”.

O auxílio federal ajudará a resolver alguns dos maiores problemas de curto prazo da cidade, como grandes quedas na receita de impostos sobre a propriedade, nas vendas e nas tarifas de transporte, das quais o M.T.A., que opera o metrô, os ônibus e duas linhas de trens urbanos, depende fortemente.

Ainda assim, o caminho para a recuperação total será longo e íngreme, dizem analistas e líderes empresariais.

Setores inteiros, como artes, hotéis e restaurantes, foram dizimados, com milhares de empresas fechando para sempre. O turismo, um dos pilares da economia, está a anos de se recuperar, de acordo com as previsões. E muitas empresas estão transferindo pelo menos algumas partes para o trabalho remoto, levantando questões sobre o futuro de Manhattan sem as legiões de trabalhadores de escritório.

A infusão de ajuda federal deu alguns motivos para esperança. O M.T.A. passou de uma ameaça de redução drástica de serviço e demissão de funcionários a prometer restaurar o serviço 24 horas do metrô, que foi suspenso durante a pandemia.

Muitos restaurantes que lutaram para sobreviver durante um mês de proibição de refeições em ambientes fechados agora tentam recuperar as perdas e os custos de adaptação às restrições da pandemia.

“A cidade ainda tem um longo caminho pela frente”, disse Ana Champeny, diretora de estudos municipais da Comissão de Orçamento Cidadão. “Você precisa trazer as pessoas de volta para Midtown e para o centro da cidade, o distrito comercial. Você precisa reabrir restaurantes e teatros”.

O prefeito Bill de Blasio traçará um plano para gastar a ajuda direta quando apresentar seu orçamento em abril, disse a porta-voz Laura Feyer. O prefeito disse que a ajuda permitirá à cidade “finalmente superar a enorme perda de receita e servir ao nosso povo, manter nossa força de trabalho forte e renascer”.

A ajuda direta “pode colocar a cidade numa base fiscal sólida”, disse Champeny, embora a cidade ainda enfrente grandes déficits orçamentários nos próximos anos. “É um pacote incrivelmente generoso que definitivamente iniciará a reconstrução”.

A reconstrução enfrenta desafios gigantescos. A área metropolitana de Nova York perdeu mais de 1 milhão de empregos em 2020, quase o dobro da perda da área de Los Angeles e o triplo da área de Chicago, de acordo com o Departamento Federal de Estatísticas do Trabalho. A taxa oficial de desemprego da cidade aumentou para 12,9% em fevereiro, mais do que o dobro da taxa nacional, que era de 6,2% em fevereiro e caiu para 6%.

As perdas de empregos caíram mais fortemente entre aqueles que estavam agarrados aos degraus mais baixos da escada econômica da cidade. Os empregos de baixa remuneração que não podem ser feitos de casa foram responsáveis pela maioria das perdas, e muitos podem demorar anos para retornar - e talvez nunca retornem, dizem os economistas.

Nova York era especialmente vulnerável à crise econômica da pandemia por causa de sua forte dependência de turistas e viajantes a negócios para preencher camas de hotel e assentos em restaurantes, teatros e estádios. O número de visitantes estrangeiros em Nova York só deve atingir seu nível de 2019 depois de 2025, de acordo com a agência de promoção do turismo da cidade.

As torres de escritórios de Nova York ainda estão em grande parte vazias, e o êxodo de trabalhadores de escritório de Manhattan - muitos dos quais não devem retornar até a segunda metade do ano - paralisou comerciantes e reduziu significativamente o valor de grande parte dos imóveis comerciais da cidade, o que se traduzirá em uma grande queda na receita de vendas e impostos sobre a propriedade.

O Escritório de Orçamento Independente projetou que a recuperação da cidade permanecerá “frágil e oscilante por muitos meses”. Embora uma retomada nas contratações este ano e no próximo possa substituir cerca de 400 mil dos empregos que a cidade perdeu, o escritório disse que, no final de 2024, Nova York ainda não terá tantos empregos quanto antes do início da pandemia.

Mais de 200 dos 700 hotéis da cidade continuam fechados, deixando milhares de trabalhadores ainda desempregados, disse Vijay Dandapani, presidente-executivo da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York. “Meu setor caiu de um penhasco em 22 de março do ano passado”, disse ele.

Mas até mesmo o setor hoteleiro está vendo vislumbres de recuperação. O Mandarin Oriental recontratou mais de 100 membros do sindicato Hotel Trades Council para sua reabertura na quinta-feira, disse a gerente do hotel, Susanne Hatje. O Mandarin está oferecendo tarifas com desconto a partir de US$ 716 por noite, 20% abaixo dos preços pré-pandêmicos.

A agência de promoção turística da cidade, NYC & Company, previu que o número de visitantes subirá para 38 milhões este ano, ante cerca de 23 milhões em 2020, mas ainda 40% abaixo do nível recorde de 2019.

Apesar da precária situação da cidade, E.J. McMahon, fundador do Empire Center, um grupo de pesquisa conservador, disse que estava preocupado com a quantidade extraordinária de ajuda federal que flui para a região.

Uma grande parte dessa ajuda provavelmente irá para os restaurantes de Nova York porque eles experimentaram algumas das restrições mais longas e severas, disse Andrew Rigie, diretor executivo do grupo comercial NYC Hospitality Alliance. Uma pesquisa recente da Partnership for New York City, um grupo empresarial influente, estimou que durante a pandemia 5 mil restaurantes da cidade fecharam para sempre.

“Isso salvará inúmeros restaurantes e empregos”, disse Rigie. “É horrível que os restaurantes tenham esperado um ano por esse financiamento, mas antes tarde do que nunca”.

Embora possa levar algum tempo, “a cidade passará por uma grande ressureição”, disse Zandi. “Vai voltar rugindo”. / Tradução de Renato Prelorentzou 

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