Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Nova York registra aumento de casos de intoxicação por desinfetante após sugestão de Trump

Presidente americano disse em coletiva de imprensa que injeção do produto poderia ajudar no tratamento contra o coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2020 | 15h15

A cidade de Nova York registrou um aumento no número de casos de intoxicação por desinfetante após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter sugerido em coletiva de imprensa que a injeção do produto poderia ajudar no tratamento contra o coronavírus. As informações são da rede americana NBC.

De acordo com a NBC, o centro de controle de envenenamento da cidade recebeu 30 chamadas relacionadas aos produtos nas 18 horas seguintes à sugestão do presidente – mais que o dobro do mesmo período no ano passado, quando apenas 13 casos foram registrados. 

Entre os 30 casos registrados nessas dezoito horas, nove envolviam o desinfetante Lyson; outros dez eram relacionados a alvejantes e onze incluíam outros produtos de limpeza. 

A declaração do presidente Donald Trump foi feita na última quinta-feira, 23, em um briefing na Casa Branca. O presidente sugeriu que uma "injeção no interior" do corpo humano com um desinfetante como água sanitária ou álcool isopropílico poderia ajudar a combater o vírus.

"E então vejo o desinfetante, onde ele é eliminado em um minuto", disse Trump após uma apresentação de William N. Bryan, um subsecretário de ciências do Departamento de Segurança Interna, detalhando a possível suscetibilidade do vírus a água sanitária e álcool.

"Um minuto", disse o presidente. “E existe uma maneira de fazer algo assim, injetando dentro ou quase limpando? Porque você vê que entra nos pulmões e faz um número tremendo nos pulmões. Portanto, seria interessante verificar isso. ”

Na sexta-feira, os fabricantes de produtos de limpeza doméstica se manifestaram.  Reckitt Benckiser, da fabricante de Lysol e Dettol, emitiu o primeiro aviso, dizendo: "Sob nenhuma circunstância nossos produtos desinfetantes devem ser administrados ao corpo humano (por injeção, ingestão ou qualquer outra via)".

A Clorox, fabricante de alvejantes, logo o seguiu, dizendo que é fundamental que os consumidores entendam os fatos. "Alvejantes e outros desinfetantes não são adequados para consumo ou injeção em nenhuma circunstância", afirmou o documento.

Mais tarde, na sexta-feira, Trump disse que estava sendo “sarcástico” quando fez o comentário. 

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