AP/Beth Harpaz
AP/Beth Harpaz

Nova York terá sua primeira prévia mais competitiva em décadas

Os três principais candidatos democratas e republicano têm grande ligação com a cidade, uma das mais multiculturais dos Estados Unidos

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / Nova York, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2016 | 05h00

O democrata Bernie Sanders nasceu no Brooklyn e o republicano Donald Trump no Queens, duas das regiões mais multiculturais de Nova York. Hillary Clinton cresceu em Illinois, mas conseguiu um passaporte nova-iorquino quando se elegeu senadora democrata pelo Estado em 2001.

Normalmente relegada ao ostracismo em razão do calendário eleitoral dos EUA, a cidade verá na terça-feira sua primeira prévia competitiva em décadas, na qual estará representada por três dos cinco candidatos.

Maior cidade americana, Nova York concentra quase metade dos eleitores do Estado que ostenta o mesmo nome e é o quarto mais populoso do país. Além dos votos, Trump, Sanders e Hillary também disputam a identidade com a cidade marcada pela diversidade: 37% de seus moradores nasceram em outros países e quase 70% são negros, hispânicos ou asiáticos. 

As escolas públicas de Nova York têm alunos que falam 176 diferentes línguas e alguns especialistas estimam que 800 idiomas estão presentes nas 5 regiões que integram a cidade – Manhattan, Brooklyn, Queens, Bronx e State Island –, nas quais vivem 8,5 milhões de pessoas.

A diversidade é um aparente obstáculo às aspirações de Trump, mas não impede que ele seja o líder absoluto na disputa pela preferência dos eleitores do Partido Republicano no Estado. O que está em jogo agora é a candidatura da legenda, que será testada na eleição geral de novembro, na qual os republicanos perdem em Nova York desde 1984.

Apesar de sua retórica hostil aos imigrantes,

Trump tem a simpatia de uma parcela dos que nasceram em outros países e conquistaram a cidadania americana. Nascido em Bangladesh, Shumil Roy, de 46 anos, vive há duas décadas e meia nos EUA, na mesma região do Queens onde o bilionário passou sua infância. “Eu gosto dele e não posso ser deportado porque estou aqui legalmente”, disse Roy ao Estado

A estrela de O Aprendiz cresceu em uma casa de 23 quartos em Jamaica States, um condomínio do Queens que era ocupado por famílias brancas privilegiadas. Hoje, quatro quadras separam a casa de sua infância da principal rua comercial da região, dominada por restaurantes étnicos, lojas de roupas indianas e algumas das centenas de línguas faladas em Nova York. 

Entre os moradores da mesma Midland Parkway onde Trump cresceu está Mahboob Khan, que trocou Bangladesh por Nova York em 1992. Na terça-feira, ele votará na democrata Hillary. Sua filha, Rezwana Khan, marcará o quadrado de Sanders. “Não gosto dos comentários racistas de Trump. Sempre votei pelos democratas e espero que Hillary seja a candidata do partido”, afirmou Khan.

Nascido e criado em Nova York, Dan Fixell é a imagem dos que prosperaram na cidade. Com terno, gravata e sobretudo impecáveis, ele caminhava no fim da tarde de quinta-feira em frente à Trump Tower, na Quinta Avenida, que é o atual endereço do líder da disputa republicana, que há décadas deixou o Queens. 

Fixell, de 63 anos, trabalha em Wall Street e dará seu voto a Hillary, atacada de maneira implacável pelo opositor Sanders em razão de seus laços com o sistema financeiro. “Hillary é mais moderada. Sanders está muito à esquerda”, afirmou.

Kevin Grant, de 24 anos, trabalha no mercado financeiro e também votará na mulher que construiu o mais longo currículo político entre todos os aspirantes à candidatura presidencial: ex-primeira-dama, ex-senadora e ex-secretária de Estado. 

Mais conteúdo sobre:
Prévias Nova York Trump Sanders Hillary

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.