Charlotte Bellis via AP
Charlotte Bellis via AP

Nova Zelândia aceita receber grávida que pediu refúgio ao Taleban

Jornalista Charlotte Bellis teve primeiro pedido de retorno ao país negado em função de regras de bloqueio contra a covid-19 e expôs seu caso na imprensa

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2022 | 07h34
Atualizado 01 de fevereiro de 2022 | 07h52

WELLINGTON - A Nova Zelândia aceitou receber a jornalista grávida que teve a entrada negada no país com base nas rígidas regras contra a covid-19, apesar de ser neozelandesa, depois que o Taleban a ofereceu refúgio no Afeganistão.

A repórter Charlotte Bellis, 35 anos, afirmou nesta terça-feira, 1º, que retornará à Nova Zelândia para dar à luz a sua filha depois que o governo concedeu uma vaga em uma área de quarentena do país.

"Estamos emocionados de voltar para casa e estar cercados por familiares e amigos em um momento tão especial", declarou Bellis em um comunicado, no qual agradeceu o apoio da população.

O caso de Bellis demonstrou as dificuldades enfrentadas por neozelandeses retidos no exterior por causa das rígidas normas fronteiriças contra a covid-19, e gerou pressão para que o governo da primeira-ministra Jacinda Ardern flexibilize as regras.

As fronteiras da Nova Zelândia permaneceram fechadas por grande parte dos últimos dois anos para controlar a propagação do coronavírus. O país tem apenas 800 leitos para quarentena por mês para neozelandeses e estrangeiros com visto que precisam retornar em caráter de urgência.

Bellis trabalhava para o canal Al Jazeera em Cabul quando o Afeganistão caiu sob poder do Taleban.

Ela descobriu a gravidez quando retornou à sede da empresa em Doha, no Catar, que proíbe a gravidez fora do casamento.

A jornalista decidiu manter a situação em sigilo enquanto organizava o retorno para a Nova Zelândia, mas as autoridades afirmaram que ela não se qualificava para uma permissão de retorno.

Bellis decidiu então entrar em contato com  autoridades taleban no Afeganistão. E representantes do governo afirmaram que ela poderia retornar ao país.

"Quando os taleban oferecem um local seguro a uma mulher grávida e solteira, você sabe que está em uma situação complicada", afirmou Bellis no sábado./ AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.