John Kirk Anderson/Pool via Reuters
John Kirk Anderson/Pool via Reuters

Nova Zelândia condena autor de massacre em mesquitas à prisão perpétua

Brenton Tarrant matou 51 muçulmanos e transmitiu ataques pelo Facebook

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 23h24
Atualizado 27 de agosto de 2020 | 00h02

CHRISTCHURCH - O supremacista branco Brenton Harris Tarrant, que massacrou 51 fiéis em duas mesquitas da Nova Zelândia, foi condenado nesta quinta-feira, 27 (quarta-feira no Brasil) à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

O juiz impôs a sentença máxima, pela primeira vez determinada na Nova Zelândia, ao atirador de 29 anos.

O juiz Cameron Mander disse que os crimes de Tarrant foram tão perversos que uma vida inteira na prisão não poderia começar a compensá-los. Os ataques causaram enormes perdas e feridas e resultaram de uma ideologia distorcida e maligna, afirmou.

“Suas ações foram desumanas”, disse Mander. “Você matou deliberadamente um bebê de 3 anos enquanto ele se agarrava à perna do pai”.

Os ataques, que aconteceram em março de 2019 e foram direcionados a féias que oravam nas mesquitas de Al Noor e Linwood, chocaram a Nova Zelândia e impulsionaram novas leis que proíbem os tipos mais mortíferos de armas semiautomáticas. Transmitidos ao vivo pelo Facebook, eles também levaram a mudanças globais nos protocolos de empresas de mídias sociais.

Durante um julgamento que durou quatro dias, 90 sobreviventes e familiares relataram o horror dos ataques e o trauma que continuam a sentir.

Alguns optaram por gritar com o atirador e apontar-lhe o dedo. Outros o chamavam de monstro, covarde, rato. Alguns cantaram versos do Alcorão. Outros falaram baixinho com Tarrant, dizendo que o perdoaram.

Tarrant já havia demitido seus advogados e disse ao juiz que não queria falar na audiência. Um advogado nomeado pelo tribunal disse ao juiz que Tarrant não se opôs a uma sentença de prisão perpétua sem liberdade condicional.

Mander observou que Tarrant disse recentemente a assessores que agora rejeita sua filosofia extremista e considera seus ataques “abomináveis ​​e irracionais”. Mas Mander disse que a sinceridade dessa mudança de opinião era questionável e que Tarrant ainda não demonstrara empatia por suas vítimas ou tristeza pelo que havia feito.

Em março, Tarrant se confessou culpado de 51 acusações de assassinato, 40 de tentativa de homicídio e uma de terrorismo, revertendo suas declarações anteriores de que era inocente.

Os promotores disseram que Tarrant voou com um drone sobre a mesquita de Al Noor e pesquisou a planta enquanto planejava meticulosamente seus ataques. Ele chegou com seis armas, incluindo duas AR-15s.

O promotor da Coroa, Mark Zarifeh, disse que Tarrant pretendia matar o máximo de pessoas possível. “As ações do agressor são uma marca dolorosa e angustiante na história da Nova Zelândia”, disse.

Tarrant estava visivelmente mais magro em sua audiência de condenação do que quando foi preso pela primeira vez. Ele não mostrou a mesma ousadia de sua primeira aparição no tribunal, no dia seguinte aos ataques, quando fez com a mão um gesto adotado por supremacistas brancos.

Vestido com um agasalho cinza da prisão, Tarrant demonstrou pouca emoção durante sua sentença. Ocasionalmente dava pequeno aceno com a cabeça ou cobria a boca enquanto ria de piadas, muitas vezes feitas às suas custas. Sara Qasem, uma das familiares das vítimas, falou sobre seu amado pai Abdelfattah, morto nos ataques.

“Tudo o que uma filha sempre quer é o pai. Eu quero fazer mais viagens com ele. Quero sentir o cheiro de sua comida produzida no jardim. Seu perfume”, disse. “Quero ouvi-lo falar mais sobre as oliveiras na Palestina. Eu quero ouvir sua voz. A voz do meu pai. A voz do meu baba." /REUTERS

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