Marty Mellvile/AFP
Marty Mellvile/AFP

Nova Zelândia suspende laços com Mianmar e proíbe visitas de líderes militares

País da Oceania não reconhece a legitimidade do atual governo e pede que todos os líderes políticos sejam soltos e o governo civil, restaurado

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2021 | 04h35

WELLINGTON - A Nova Zelândia suspendeu, nesta terça-feira, 9, todos os contatos de alto nível e proibiu viagens dos líderes militares de Mianmar após o golpe de Estado da semana passada. O anúncio foi feito pela primeira-ministra, Jacinda Ardern.

De acordo com ela, o país também garantirá que seu programa de ajuda não inclua projetos que sejam entregues para, ou beneficiem, o governo militar.

“Nossa mensagem forte é que faremos o que pudermos. Uma das coisas que faremos é suspender esse diálogo de alto nível e garantir que qualquer financiamento que colocarmos em Mianmar não apoie de forma alguma o regime militar”, disse. A primeira-ministra acrescentou ainda que o programa de ajuda da Nova Zelândia foi avaliado em cerca de 42 milhões de dólares neozelandêses (o equivalente a R$ 163.187.465,78), entre 2018 e 2021.

A Nova Zelândia não reconhece a legitimidade do governo militar e pediu que libertassem imediatamente todos os líderes políticos detidos e restaurassem o governo civil, disse a ministra das Relações Exteriores Nanaia Mahuta, em um comunicado separado.

Nanaia afirmou que o governo também concordou em implementar uma proibição de viagens, a ser formalizada na próxima semana, aos líderes militares de Mianmar.

Toque de recolher

A Junta Militar de Mianmar decretou na segunda-feira, 8, a proibição de manifestações contra o governo impondo um toque de recolher na duas maiores cidades do país, Yangon e Mandalai. Os militares tomaram o poder depois de não aceitar a derrota eleitoral em uma disputa que ocorreu em novembro e que deu uma ampla margem de votos aos civis.

As medidas restritivas vieram depois de um grande protesto na capital, Naipidau, cidade construída pelos militares para ser a sede do governo e habitada quase toda por funcionários públicos e seus parentes – o que mostraria o nível de insatisfação com a Junta Militar. O ato foi reprimido com canhões de água e os agentes de segurança ameaçaram atirar contra a população. Outras cidades do país registraram manifestações./ REUTERS e AP

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