David Lintott/ AFP
David Lintott/ AFP

Nova Zelândia anuncia reforma de lei de armas após atentado

Primeira-ministra, porém, não disse se a reforma incluirá a proibição de armas semiautomáticas, como as utilizadas no massacre

EFE, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2019 | 03h33

Christchurch - O governo da Nova Zelândia acertou nesta segunda-feira, 18, os detalhes para iniciar uma reforma da lei de armas - após o atentado de Chirstchurch deixar 50 mortos e 50 feridos - e criar uma comissão que avalie a atuação prévia das autoridades.

A primeira-ministra do país, Jacinda Ardern, afirmou que seu gabinete está completamente unido em relação à reforma legal estipulada, cujo conteúdo será anunciado em um prazo de dez dias após os ataques de sexta-feira em duas mesquitas.

"Há muitos neozelandeses que questionam que haja armas semiautomáticas disponíveis", disse em entrevista coletiva, evitando dizer se a reforma incluirá, tal como se esperava que anunciasse, a proibição desse tipo de armas, utilizadas no atentado.

"Há detalhes que é preciso olhar. Não se trata só de certos pontos da lei. É simplesmente por isso que levaremos um tempo, para que saia bem", acrescentou ao justificar o atraso.

Ardern ressaltou que os ataques "evidenciaram uma série de debilidades na lei de armas" do país e que todo o governo coincide na necessidade de realizar mudanças, incluindo o seu parceiro de coalizão, o NZ First, que anteriormente tinha se oposto a isso.

O líder desse partido e vice-primeiro-ministro, Wintson Peters, confirmou o ponto na mesma entrevista coletiva, onde afirmou que após os fatos de sexta-feira "nosso mundo mudou para sempre e também as nossas leis mudarão".

A primeira-ministra neozelandesa acrescentou que a reforma não será dirigida contra os proprietários de armas, especialmente em zonas rurais, mas encorajou os que tenham armas em casa a entregá-las à polícia.

Ardern acrescentou que uma comissão revisará a série de fatos que precederam o atentado, incluindo as viagens e as atividades na Nova Zelândia do agressor, o australiano Brenton Tarrant, e a atuação de várias agências estatais de segurança e inteligência.

Entre outros, a primeira-ministra afirmou que serão analisados "padrões de comportamento" que costumam preceder a este tipo de incidentes, pelo que, afirmou, se manterá o nível de alerta "alto".

No discurso, Ardern pediu, além disso, aos responsáveis de todas as redes sociais para tomar medidas para prevenir a incitação ao ódio e à violência, depois que Tarrant transmitiu ao vivo pelo Facebook o ataque na primeira mesquita.

Ardern afirmou que Facebook e Instagram continuam retirando imagens do atentado - depois que nas 24 horas posteriores ao mesmo 1,5 milhão de vídeos foram excluídos da rede - mas considerou que estas plataformas podem fazer mais.

"Pediria às plataformas de redes sociais para demonstrar senso de responsabilidade. Há muito trabalho que deve ser feito", insistiu.

A primeira-ministra anunciou que o governo da Nova Zelândia também vai realizar um ato em memória às vítimas, cuja data será anunciada mais adiante para permitir que esta semana as famílias tenham seu luto.

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