Novas fotos de Abu Ghraib reacendem polêmica

Fotografias inéditas de prisioneiros iraquianos sendo maltratados, há três anos, por guardas norte-americanos na prisão de Abu Ghraib aumentaram ainda mais, nesta quarta-feira, a polêmica em torno da violência exercida pela Coalisão contra os iraquianos.Alguns oficiais iraquianos pediram calma a seus conterrâneos, visto que as imagens são antigas e os autores das atrocidades foram punidos.A rede de TV Al-Jazira transmitiu algumas fotos no Oriente-Médio em um momento em que ocorriam protestos anti-ocidente - causados pelas caricaturas européias de Maomé. A rede, no entanto, não mostrou as fotos mais chocantes e as que continham humilhações sexuais.A ministra de direitos humanos iraquiana, Nermine Othman, disse estar horrorizada pelas imagens e pretende tomar todas as ações possíveis contra os responsáveis por tais atos.O porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, disse que o Departamento de Defesa acredita que a publicação das imagens "somente incitará mais desnecessária violência no mundo". Ele não sabe se as fotos e os vídeos transmitidos estavam entre as imagens ocultadas do público pelo Pentágono. Membros de grupos xiitas de oposição à Coalisão possivelmente estão envolvidos neste vazamento de informações. Eles aparentemente vêm buscando sensibilizar o público à sua causa desde que britânicos tentaram esmagar a milícia xiita.As novas fotografias prejudicaram muito a tentativa de trégua entre os rebeldes sunitas (espinha dorsal da insurgência iraquiana) e os EUA. Isso porque a maioria dos torturados eram sunitas.Alguns oficiais de alta patente iraquianos evitam falar no caso. Para eles, isso já é uma página virada na história do país. "Acredito que a publicação dessas imagens serve apenas para piorar uma situação já muito frágil", disse Labeed Abbawi, conselheiro do Ministro do Exterior iraquiano."Os abusos de Abu Ghraib foram totalmente investigados", disse Whitman. "Quando há abusos, este departamento (de defesa dos EUA) atua imediatamente sobre os acusados, os investiga profundamente e os processa individualmente", ele disse. Ele afirmou, também, que mais de 25 pessoas foram consideradas culpadas por atos criminosos e "outras falhas" em Abu Ghraib. As fotos mostradas pela imprensa não identificavam ninguém. No entanto, várias imagens mostram um homem que possivelmente é Charles Graner Jr., que está cumprindo pena de 10 anos por seu envolvimento no escândalo.O conselheiro de segurança nacional iraquiano, Mouwafak al-Rubaie, afirmou que irá discutir o caso com autoridades norte-americanas. "Elas não ajudam na formação de um bom relacionamento entre as forças multinacionais e os cidadãos iraquianos". Já o conselheiro de segurança presidencial, Wafiq al-Samaraei, chamou o abuso dos americanos de "injustificavel", mas acrescentou que é importante lembrar que o caso aconteceu há mais de dois anos, que os acusados foram presos e que as regras internas nas prisões melhoraram.Amrit Singh, advogado da União Americana pelas Liberdades Civis (Aclu, na sigla em inglês), questionou, em entrevista à AP Television News, se "o governo fará realmente uma investigação independente sobre como o abuso aconteceu e quem é, afinal, o responsável por ele".

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