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Novas revelações comprometem Clinton e Hillary

Para um presidente que no início de seu segundo mandato já mostrava uma preocupação quase que obsessiva com seu lugar na história, Bill Clinton já havia demonstrado uma tendência doentia para a autodestruição.Entre a revelação de seu affair com Monica Lewinsky, em 1998, e o polêmico perdão presidencial que concedeu aos especuladores Marc Rich e Pincus Green, em suas horas finais na Casa Branca, no mês passado, Clinton parecia já ter esgotado todas as alternativas possíveis para decepcionar seu amigos, alienar simpatizantes e dar munição a seus adversários.Móveis e utensílios Mas haveria mais: os americanos ficariam sabendo que, em seu último mês no poder, o ex-presidente e a ex-primeira dama e atual senadora, Hillary Rodham Clinton, haviam recebido US$ 190 mil em presentes pessoais de amigos, incluindo louças e faqueiros, e tinham levado na mudança para suas duas residências privadas, em Nova York e em Washington, alguns móveis e outros pertences da Casa Branca.Agora, o cunhado O mais recente episódio - a denúncia de que Hugh Rodham, cunhado do ex-presidente e irmão de Hillary, recebeu US$ 200 mil a título de "comissão de sucesso" pelo perdão que Clinton concedeu a Carlos Vignali, um traficante de cocaína, e A. Glenn Braswell, um fabricante de vitaminas milagrosas condenado por fraude nos anos 80 - segue o mesmo padrão.Sua revelação, apresentada na quarta-feira como uma iniciativa do próprio Clinton, foi, na verdade, uma tentativa tardia e ineficaz do ex-presidente de limitar os danos antecipando-se à publicação da história, nesta quinta-feira, pelo semanário sensacionalista National Enquirer.Não é bem assim... Segundo Clinton, nem ele nem Hillary sabiam que Hugh Rodham estava usando seu parentesco com o poder para obter o perdão de Braswell e Vignali, ambos do Arkansas. O presidente fez questão de informar, por meio de assessores, que estava "furioso" com o cunhado e o havia convencido a devolver o dinheiro recebido dos dois criminosos perdoados.O advogado também Mas como costuma ocorrer nos escândalos que envolvem os Clintons, a história inicial não estava bem contada. Nesta quinta-feira, os americanos ficaram sabendo que além de Hugh Rodham, o ex-tesoureiro da campanha de Hillary ao Senado, o advogado William Cunningham III, também trabalhou no caso, recebendo US$ 400 mil para ajudar a preparar as petições do perdão de Braswell e Vignali. Além de ter sido o homem do caixa da campanha da hoje senadora por Nova York, Cunningham é sócio do amigo, conselheiro e ex-vice-chefe do gabinete presidencial de Clinton, Harold Ickes. Como se poderia prever, Cunningham disse nesta quinta-feira que nem ele nem Ickes jamais trataram das petições de Braswell e de Vignali com Clinton ou com Hillary. "Os pedidos (de indulto) foram feitos com base no mérito", disse ele. "Esses dois sujeitos mereciam ser perdoados, e o fato de que os pedidos foram preparados por mim é realmente independente da minha ligação, que era realmente com a senadora Clinton e não com o presidente."Pena de prisão Filho de família rica, Vignali cumpria pena de 15 anos de prisão por tráfico de drogas. Sua petição, apresentada em 1998, seguiu os trâmites normais e era apoiada por políticos e até pelo cardeal de Los Angeles, Roger M. Mahony, mas obteve uma recomendação negativa do Departamento de Justiça, que Clinton ignorou. A petição de Braswell não seguiu o processo costumeiro - talvez porque seus advogados e Hugh Rodham sabiam que ele estava sendo investigado pelo Serviço da Receita Interna (o fisco americano) por o que a promotoria federal de Los Angeles chama de "um enorme esquema de lavagem de dinheiro e de evasão de impostos".Era Clinton O novo suprimento de denúncias deverá manter ocupado por vários meses um grupo de congressistas republicanos que se especializou, nos últimos anos, em investigar os escândalos da era Clinton. No momento, eles - e, o que é mais importante, a promotoria federal de Nova York - estão investigando se (cerca de) US$ 1 milhão em contribuições que a ex-mulher de Marc Rich, a compositora e locomotiva do jet set democrata Denise Rich, deu para as campanhas de Hillary e do Partido Democrata e para a biblioteca presidencial de Clinton, eram recursos próprios ou dinheiro do ex-marido, que vive há 17 anos na Suíça, foragido da Justiça americana.Venda do perdão? Se ficar provado que o especulador perdoado por Clinton é a origem do dinheiro das doações que sua ex-mulher fez para os Clintons (Denise também deu alguns valiosos presentes pessoais ao casal), ficaria caracterizada a venda do perdão presidencial.Isso não invalidaria o perdão, mas poderia transformar Clinton, Denise e outras pessoas em alvos de um processo criminal. O fato de Denise ter recusado um convite para comparecer diante da CPI que cuida do caso, invocando a proteção constitucional contra a auto-incriminação, torna plausível essa possibilidade. Deputados envolvidos nas investigações informaram que esperavam nesta quinta-feira receber de Clinton documentos relacionados com as doações feitas à biblioteca presidencial de Clinton. Mas o advogado pessoal do ex-presidente, David Kendall, prometia divulgar uma carta explicando por que alguns documentos pedidos pela CPI não serão entregues. Ou seja, o lado podre da era Clinton ainda parece longe do fim.

Agencia Estado,

22 de fevereiro de 2001 | 17h44

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