Novas sanções à Síria e repúdio da Jordânia agravam situação de Assad

Ampliação da crise. Dois dias depois de a Liga Árabe suspender o regime do presidente sírio, União Europeia anuncia a adoção de novas punições; Turquia se distancia ainda mais do país, afirmando que 'não dá mais para confiar no governo de Damasco'

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2011 | 03h03

Dois dias depois de a Síria ser suspensa da Liga Árabe, a pressão sobre o regime de Damasco agravou-se ontem com a imposição de novas sanções pela União Europeia e uma declaração do rei Abdullah, da Jordânia, defendendo a saída de Bashar Assad do poder. Na Turquia, o chanceler, Ahmet Davutoglu, disse ser impossível confiar no governo sírio.

Em entrevista para a rede de TV BBC, o monarca jordaniano afirmou que se estivesse no lugar de Assad, "deixaria o poder". "Mas tentaria garantir que meu sucessor tivesse condições de alterar o status quo. Caso Bashar tenha interesse em seu país, deve se afastar do cargo, mas deve também criar um ambiente favorável a uma nova fase na vida política da Síria", acrescentou o rei jordaniano.

Para o rei Abdullah, o problema na Síria não é Assad, mas o regime. "Bashar tem o sangue de reformista", afirmou o jordaniano. Na avaliação dele, outros parentes do líder sírio, como seu irmão e seu cunhado, estão no comando do país.

Apesar de defender a saída do líder sírio, de quem se considera amigo, o monarca afirma não ver como a crise síria possa ser superada.

Em seu próprio país, o líder jordaniano enfrenta protestos contra seu regime, um dos menos democráticos do Oriente Médio, apesar da boa imagem de Abdullah no Ocidente.

Manifestantes, assim como na Síria, estão nas ruas há mais de oito meses. O rei trocou seu premiê duas vezes, mas os opositores insistem que quem comanda mesmo o país é ele, e não seus ministros. Grupos de direitos humanos também acusam o regime da Jordânia de prender e torturar opositores. Ainda assim, há relato de poucas mortes. Na Síria, segundo a ONU, as forças de segurança já mataram 3.500 pessoas em oito meses.

A Turquia, que antes do início dos levantes era um dos maiores aliados da Síria, está cada vez mais distante do regime.

"Nós tomaremos as medidas mais duras contra esses ataques e defenderemos o direito de os sírios se manifestarem", disse o chanceler turco, acrescentando que "não dá mais para confiar no governo de Damasco".

Novas sanções. A União Europeia também anunciou que aplicará novas sanções, mas os detalhes serão anunciados nos próximos dias. Em Nova York, os EUA tentam convencer russos e chineses a aceitarem uma resolução no Conselho de Segurança condenando a violência do regime, mas não conseguiram avanços. Ontem, o governo americano disse que Assad está isolado e deve deixar o poder.

A Síria, que ainda tenta contornar a suspensão da Liga Árabe, afirmou não temer um maior isolamento internacional e seu chanceler, Walid Moallen, celebrou o apoio da Rússia e da China no CS. O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, disse que vetará qualquer resolução. Segundo ele, "opositores radicais de Assad continuam incitando a violência e rejeitando o diálogo".

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