Burhan Ozbilici/AP
Burhan Ozbilici/AP

Novas sanções da UE contra Síria atingem Irã

Lista de pessoas proibidas de entrar no bloco inclui iranianos e evidencia suspeitas de que Teerã esteja ajudando Damasco a reprimir opositores

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

A União Europeia adotou ontem novas sanções contra Irã e Síria. Bruxelas acusa Teerã de estar por trás da repressão promovida pelo presidente sírio, Bashar Assad, e incluiu três iranianos na lista de pessoas com contas congeladas e proibidas de entrar na UE.

As sanções entram em vigor amanhã e pretendem mostrar à Síria que a repressão não será aceita pela Europa. Mais de mil pessoas morreram em protestos pela democracia no país. Mais de 10 mil opositores teriam sido presos. Nos últimos dias, ganhou força o boato de que Assad estaria recebendo ajuda direta de seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"A inclusão de iranianos na lista de sanções contra a Síria é positiva. Ela manda uma mensagem clara ao governo do Irã, de que a ajuda em equipamentos e conselhos técnicos para que Damasco reprima os protestos é inaceitável", afirmou um comunicado da diplomacia britânica.

Sem conseguir apoio para uma resolução condenatória na ONU contra a Síria - em razão da oposição de Brasil, China e Rússia -, os europeus seguem tomando medidas unilaterais. Além dos três iranianos, a lista negra europeia passou a contar com funcionários públicos e pessoas ligadas a empresas que prestam serviços para o regime.

Apoio de Teerã. No total, a lista feita por britânicos e franceses tem 34 pessoas e empresas sírias - incluindo o presidente Assad, que prometeu reformas em discurso realizado esta semana, mas não fala em deixar o cargo. Para a UE, as promessas são insuficientes.

Em Damasco, o chanceler sírio, Walid Moallem, rejeitou a acusação de que o governo estivesse recebendo ajuda de Ahmadinejad. Moallem acusa a UE de querer "promover o caos" no país. De acordo com ele, também não há nenhum apoio do Hezbollah, grupo xiita libanês e tradicional aliado de Teerã. O chanceler, porém, admitiu que seu governo recebe apoio "político", tanto do Irã como do Hezbollah.

Maollem alertou que a Síria "esqueceu a existência da Europa" e insistiu que os protestos são um ação vinda do "exterior" para derrubar Assad. O chanceler também pediu que a Turquia reavaliasse suas críticas contra Damasco. O governo turco manteve durante anos uma relação próxima com Assad. No entanto, os turcos se afastaram desde que 8 mil sírios cruzaram a fronteira entre os dois países fugindo da repressão.

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