Novas valas e roupas são encontradas no México

Novas valas e roupas são encontradas no México

Grupo paramilitar afirma ter localizado restos mortais e uniformes com sangue no local em Iguala, onde estudantes desapareceram 

O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 16h50

CIDADE DO MÉXICO - Um grupo paramilitar do Estado mexicano de Guerrero que procura pelos 43 estudantes desaparecidos em setembro encontrou outras seis valas clandestinas na região de Monte Hored, na cidade de Iguala, com uniformes nos arredores.


O porta-voz da União de Povos e Organizações do Estado de Guerrero (UPOEG), o advogado Manuel Vázquez Quintero, afirmou nesta sexta-feira, 24, que em cinco valas foram encontrados restos mortais e a sexta, “era nova e estava pronta para ser usada”.

“Graças à informação da inteligência comunitária, colaboração e participação da população, nós, junto com as autoridades municipais, fomos para o local depois de moradores dizerem ter escutado ruídos pela região”, disse o advogado.

O lugar fica a um quilômetro e meio de onde outras quatro valas haviam sido descobertas no dia 16. Por ser uma área de floresta, a localização foi difícil.

“Encontramos cabelo, restos mortais e, nos arredores, achamos roupa com sangue, uniformes como os de escola de ensino médio, sapatos, dinheiro e até garrafas vazias de cerveja”, disse Vázquez, acrescentando que todos os indícios foram comunicados às autoridades federais e à Comissão Nacional de Direitos Humanos.

Monte Hored, ao norte de Iguala, é uma das áreas mais inseguras do município, segundo os moradores.

A ONU pediu nesta sexta que as autoridades mexicanas aumentem os esforços na busca pelos estudantes. “Exigimos que realizem investigações efetivas, rápidas e imparciais para identificar os corpos encontrados em valas clandestinas e julgar os responsáveis”, afirmou a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani.

Renúncia. Na quinta-feira, o governador de Guerrero, Ángel Aghuirre, anunciou que deixará o cargo para “favorecer o clima político” que permita resolver o escândalo do desaparecimento dos estudantes. “A prioridade deve ser continuar a busca dos jovens e garantir que os responsáveis por essas graves violações dos direitos humanos sejam punidos”, disse Aguirre.

A saída do governador era uma das principais reivindicações dos parentes dos 43 alunos da Escola Normal de Ayotzinapa. Nos últimos dias, as mobilizações em Guerrero ficaram mais violentas com ataques aos edifícios do governo estadual, do Congresso, das instalações do partido do governador e das prefeituras de Chilpancingo e Iguala. Estudantes, professores e organizações sociais realizaram grandes protestos pedindo ações das autoridades.

Na noite de 26 de setembro, policiais atiraram nos estudantes, deixando seis mortos e 25 feridos. Outros 43 estudantes foram detidos e entregues a integrantes da organização criminosa Guerreros Unidos. Depois disso, os jovens nunca mais foram vistos.

A Procuradoria-Geral do México acusou o prefeito de Iguala, José Luis Abarca, e a mulher dele de darem a ordem para o desaparecimento dos estudantes. Os dois são considerados os maiores operadores de Guerreros Unidos. / AFP e EFE

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