Novaya Gazeta oferece US$ 1 milhão por informações sobre morte de jornalista

O jornal russo Novaya Gazeta, onde trabalhava Anna Politkovskaya, assassinada no último sábado, 7, em Moscou, ofereceu neste domingo 25 milhões de rublos (US$ 1 milhão) em troca de informações sobre a morte da jornalista.Colegas de jornalismo de Anna farão uma investigação independente sobre o assassinato. No mundo todo, governos e instituições manifestaram repúdio ao crime. Neste domingo, o ministro de Assuntos Exteriores da França cobrou punição.O site do Novaya Gazeta publicou acusação contra o primeiro-ministro checheno. "Foi vingança de Ramzan Kadyrov, sobre quem Politkovskaya escrevia freqüentemente, ou dos que querem que as suspeitas caiam sobre ele", diz o texto.Kadyrov, filho do presidente checheno assassinado pela guerrilha separatista em 2004, assegurou que recebeu a notícia "com uma grande amargura" e se disse "comovido pelo sangrento ato terrorista". Em resposta à acusação, Kadyrov disse que não se deve falar com base em suposições. "É preciso fazer uma investigação exaustiva e objetiva para identificar, deter e punir tanto os executores como os mandantes o crime", acrescentou.O primeiro-ministro checheno ressaltou que os artigos de Politkovskaya nem sempre eram neutros. "Era o ponto de vista dela", ponderou.CooperaçãoO ministro de Assuntos Exteriores da França, Philippe Douste-Blazy, expressou neste domingo "profunda tristeza" pela morte da jornalista. "A brutalidade deste crime horrível comove a todos os que defendem a liberdade de expressão".Douste-Blayzy enfatizou a importância da punição. "Desejamos que as autoridades russas esclareçam este assassinato e identifiquem o culpado o mais rápido possível".O ministro espera que a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e o Conselho da Europa ajudem na investigação.CautelaO deputado russo Alexandr Lebedev, detentor de 39% das ações do Novaya Gazeta, pediu aos jornalistas que não se precipitem para encontrar culpados."O assassinato tem um caráter político, mas não devemos nos deixar levar pelas emoções", disse.Lebedev lembrou Anna como uma das vozes críticas ao poder. "O mais simples é suspeitar dos que ela criticava, mas devemos refletir se este é o caminho pelo qual os assassinos querem que sigamos."O deputado afirmou que encontrar os executores do crime é uma questão de honra.Consciente da reação internacional, O Kremlin encarregou o procurador-geral Yuri Chaika da investigação.Politkovskaya havia denunciado, em várias ocasiões, ter recebido ameaças de morte por parte do serviço secreto russo, do Exército e de outras agências de segurança do Estado.Desde 1991, mais de 300 jornalistas foram mortos ou desapareceram na Rússia. No governo de Vladimir Putin já são doze casos de assassinatos de jornalistas sem esclarecimento, segundo a União de Jornalistas da Rússia.A jornalista será enterrada na terça-feira, em Moscou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.