Nove americanos mortos em ação contra a Al-Qaeda

Pelo menos nove soldados americanos morreram durante a ofensiva iniciada na sexta-feira contra forças da organização terrorista Al-Qaeda, que estariam se reagrupando em Gardez, no leste do Afeganistão, informou hoje o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld. Seis mortes ocorreram no domingo à noite (pelo horário do Brasil), quando um helicóptero MH-47 Chinook foi abatido pelo fogo antiaéreo inimigo nas proximidades de Gardez. Os combatentes da Al-Qaeda atingiram ainda um segundo helicóptero, causando a morte de outro americano. O piloto, no entanto, conseguiu conduzir o aparelho avariado de volta à base. Rumsfeld não deu detalhes sobre as circunstâncias da morte dos outros dois soldados americanos, mas acrescentou que a operação militar - a maior envolvendo diretamente tropas dos EUA e seus aliados ocidentais nos cinco meses de campanha no Afeganistão - deixou "dezenas de feridos". A porta-voz do Pentágono, Victoria Clarke, precisou que a cifra de americanos feridos é superior a 30 desde sexta-feira.Por meio do porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, o presidente americano George W. Bush lamentou a morte dos soldados no Afeganistão e pediu aos cidadãos que se lembrem de que os EUA e seus aliados lutam no país da Ásia Central por "uma causa muito importante". Participam da operação cerca de 1.500 soldados dos EUA, Afeganistão (leais ao governo interino de Hamid Karzai), Austrália, Alemanha, Canadá, Dinamarca, França e Noruega, que - apoiados por ataques aéreos - enfrentam em terra centenas de combatentes da Al-Qaeda e do movimento fundamentalista islâmico Taleban entrincheirados nas montanhas do leste afegão. "Há várias centenas de soldados inimigos nas cavernas, montanhas e vales da região", declarou, em Washington, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, general Richard Myers. "Trata-se de um inimigo muito determinado e disposto a morrer lutando." Fontes militares americanas indicaram que os rebeldes afegãos têm em seu poder armas de fogo pessoais, lançadores de granada e disparadores de foguetes SAM-7, de fabricação russa, e Stingers - que os EUA forneceram aos guerrilheiros afegãos que lutaram contra a invasão soviética, há duas décadas. Até agora, porém, os afegãos não tinham conseguido abater nenhuma nave tripulada americana desde o início dos bombardeios contra o Afeganistão, em 7 de outubro. Segundo um membro da shura (conselho de notáveis) de Gardez, Safi Ullah, a operação em curso é a mais importante de toda a campanha dos americanos no Afeganistão e foi planejada para obstruir eventuais fuga dos rebeldes da Al-Qaeda que estão nas montanhas. Os bombardeios anteriores a redutos da organização não impediu que seus líderes escapassem das áreas atacadas e buscassem abrigo no vizinho Paquistão e em montanhas vizinhas. Estima-se que o próprio líder da Al-Qaeda, o terrorista saudita Osama bin Laden - acusado de ter planejado os ataques de 11 de setembro e o homem mais procurado pelos militares americanos - tenha buscado refúgio entre os pashtuns que lhe são simpáticos na área tribal paquistanesa após ataques aéreos maciços dos EUA em dezembro. Pela estratégia atual, tropas de terra estão tentando cercar e estabelecer postos de controle ao redor das montanhas bombardeadas pela Força Aérea, cortando as possíveis vias de fuga. Leia o especial

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