Nove jovens palestinos deixam Basílica da Natividade

Nove jovens palestinos deixaram hoje a sitiada Basílica da Natividade carregando dois caixões improvisados com os corpos em decomposição de dois policiais palestinos, num pequeno avanço nas negociações que visam a solucionar o impasse de mais de três semanas em um dos locais mais sagrados do cristianismo. Enquanto isso, em diversos incidentes registrados hoje na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, sete palestinos foram assassinados. Israel tem a intenção de prender ou deportar cerca de 30 dos cerca de 200 palestinos armados refugiados na Basílica da Natividade, em Belém. O Estado judeu quer ainda a custódia dos homens acusados de matar o ministro israelense de Turismo Rehavem Zeevi em outubro último.O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, considerava a hipótese de permitir que o líder palestino Yasser Arafat deixe seu sitiado quartel-general em Ramallah e vá à Faixa de Gaza por entender que ele poderia utilizar sua quase intacta força de segurança no enclave palestino para reprimir militantes extremistas, comentou um assessor governamental Danny Ayalon. Ele afirmou que a proposta ainda não havia sido apresentada formalmente a Arafat. Em Belém, os nove jovens palestinos, com idade entre 14 e 20 anos, carregaram os dois cadáveres, que estavam se decompondo no interior da igreja quase desde o início do impasse, até a Praça da Manjedoura. Soldados israelenses inspecionaram os corpos, que foram levados por uma ambulância palestina. Para dificultar a visão dos jornalistas, os militares israelenses detonaram bombas de fumaça. As autoridades israelenses imediatamente detiveram os nove jovens para interrogatório. O Exército informou que os alimentou. As condições dentro da igreja pioram a cada dia e os padres em seu interior dizem que a comida acabou. No Centro de Paz de Belém, nos arredores da Basílica da Natividade, negociadores israelenses e palestinos conversaram pelo terceiro dia consecutivo. Uma sessão na noite de hoje terminou sem nenhum avanço concreto. Apesar disso, os palestinos dizem que um dos negociadores, Salah Tamiri, obteve permissão israelense para viajar a Ramallah e conversar com Arafat. Belém situa-se logo ao sul de Jerusalém, enquanto Ramallah fica ao norte da cidade sagrada. Israel controla as estradas que ligam as duas cidades palestinas, tornando extremamente difícil, se não impossível para os palestinos, viajar entre elas. Em Ramallah, o interior do QG de Arafat foi transformado numa corte durante esta semana para um julgamento-relâmpago que levou à condenação de palestinos, informou Nabil Abu Rdeneh, um assessor do líder palestino. Funcionários palestinos indicaram um júri e advogados entre as pessoas que dividem o complexo de Arafat, apesar de eles terem pouca ou nenhuma experiência jurídica. Hamdi Quran, acusado de balear Zeevi, foi condenado a 18 anos de prisão e seu comparsa, Basel al-Asmar, a 12 anos. O motorista Majdi Rimawi foi condenado a oito anos e Ahead Gholmy ficará detido durante 12 meses por cumplicidade. Eles sabiam dos planos e nada informaram às autoridades competentes palestinas. Pelos acordos de paz interinos, os palestinos teriam de extraditar os suspeitos a Israel - a não ser que eles fossem julgados em cortes palestinas. Porém, Sharon tentou minimizar a importância da atitude de hoje. "De qualquer forma, eles serão julgados em Israel", disse ele. Ainda em Ramallah, o Estado judeu permitiu ao governador da cidade a deixar o QG de Arafat, informaram fontes palestinas. Mustafa Issa, o governador palestino da cidade, foi o primeiro palestino a deixar o local desde que os tanques e soldados israelenses cercaram o complexo, em 29 de março.

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