Nove mortos em mais um dia da ofensiva israelense em Gaza

No dia em que negociadores palestinos anunciaram avanços nos acordos para a formação de um governo de coalizão entre o Hamas e o Fatah, tropas israelenses mataram, neste sábado, sete militares do Hamas e dois civis palestinos, entre eles uma menina de 12 anos. Um dos militantes mortos foi um especialista em projeção de foguetes, identificado como Louay al-Burnu, de 32 anos. Ele estava dentro de uma minivan com outros dois membros do Hamas, quando foi atingido por um míssil, na Cidade de Gaza. Outro membro do Hamas foi morto em confronto com forças israelenses quando disparava um foguete antitanques perto de Beit Hanun. No combate, um oficial israelense foi gravemente ferido. Um civil palestino, Marwan Abu Harbid, de 46 anos, morreu quando sua casa foi atingida por um míssil disparado por um tanque. Na região de Jabaliya, a artilharia israelense matou um militante do Hamas, e deixou outros quatro feridos. Dois irmãos, membros do partido do premiê Ismail Haniye, foram mortos num ataque de helicóptero. No último incidente do dia, uma menina de 12 anos foi morta por um atirador de elite israelense. O Exército lamentou a morte da menina e informou que o atirador mirava um militante armado. Desde quarta-feira, tropas israelenses retomaram a ofensiva no norte da Faixa de Gaza, na região da cidade de Beit Hanoun, fronteira com Israel, para impedir o lançamento de foguetes contra o território israelense. Quarenta e quatro palestinos foram mortos nos últimos quatro dias. Cerca de 200 pessoas ficaram feridas. Já no lado israelense, o saldo é de um morto e um ferido. Sexta-feira foi o dia mais violento nos territórios palestinos desde que forças israelenses invadiram a Faixa de Gaza após a captura do soldado Guilad Shalit, no dia 25 de junho. Dezenove palestinos morreram na sexta-feira em operações militares israelenses, entre eles duas mulheres, ambas de 40 anos. Por causa dos ataques, a cidade de Beit Hanoun está sem eletricidade e com pouca água. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu à ONU que interceda para evitar mais ataques israelenses. Governo de coalizão Apesar dos ataques, negociadores palestinos disseram neste sábado estarem próximos de um acordo para a formação de um novo governo coalizão nacional aceitável ao Ocidente. Com isso, esperam voltar a receber a ajuda financeira dos países ocidentais, que cortaram os repasses desde que o Hamas assumiu o poder na Palestina. O Hamas, do primeiro-ministro Haniye, recusa-se a aceitar a existência de Israel e renunciar à violência. Pelo novo acordo, seria formado um governo com oito cadeiras no Parlamento para o Hamas, quatro para o Fatah e uma para cada partido menor. O novo primeiro-ministro seria indicado pelo Hamas. Em Londres, o conselheiro de Haniye Ahmed Yousef afirmou que o programa do novo governo não deve incluir o reconhecimento de Israel, a renúncia à violência e nem endossamento de acordos de paz já firmados. Esses três pontos são considerados concessões indispensáveis para que o governo palestino seja aceito pela comunidade internacional

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