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Novela do Brexit ainda não acabou

Decisão cobrará seu preço nos próximos dias, semanas, meses e anos

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2019 | 03h00

A novela do Brexit não terminou ontem, como se esperava. Boris Johnson obteve da União Europeia (UE) algo que poucos julgavam possível: a renegociação do acordo de divórcio. Também tomou uma decisão que paralisava sua antecessora, Theresa May: para fechar o acordo, sacrificou o apoio dos unionistas norte-irlandeses.

Diante da hesitação do Parlamento em aprová-lo, viu-se obrigado a pedir novo adiamento do Brexit. Ainda que descumpra a promessa de sair da UE impreterivelmente até 31 de outubro, as circunstâncias políticas lhe são favoráveis. Precisa conquistar poucos votos para aprovar o acordo por margem estreita. “É o cenário mais provável”, afirma David Henig, diretor do Centro Europeu para Economia Política Internacional (Ecipe). São menores as chances de novo plebiscito ou divórcio sem acordo.

Se aprovar o acordo, a dúvida se transferirá ao final de 2020, quando acaba a transição. Impossível fechar um tratado de livre-comércio com a UE até lá. É um período curto, diz Henig, até para implementar os controles alfandegários entre Reino Unido e Irlanda do Norte. Inevitável a batalha para prolongar a transição e evitar ruptura idêntica à do Brexit sem acordo.

O tempo será essencial também para desanuviar o clima. Parlamentares votaram ontem com o fígado, não com o cérebro, mais interessados em acabar com a indefinição que exaspera o Reino Unido do que no impacto da pauta. Ninguém examinou evidências, pois o governo não forneceu números nem análises. A decisão cobrará seu preço nos próximos dias, semanas, meses e anos.

Economia

Acordo de Johnson é pior que o de May, diz estudo 

O centro de pesquisas The UK in a Changing Europe estima um crescimento econômico entre 5,8 e 7 pontos inferior dez anos depois da entrada em vigor de um novo acordo comercial com a UE – se e quando acordo houver –, dependendo do nível de restrição à imigração. No cenário sem acordo, a redução seria de 8,7 pontos. Com o acordo de May, de 5,5. Sem Brexit? Zero.

Previsões

Fabulações do guru anti-China de Trump

Tessa Morris-Suzuki, professora emérita na Universidade Nacional da Austrália, confirmou que Peter Navarro, o guru protecionista de Trump, criou um personagem a quem atribui citações falsas em ao menos seis livros. Exemplos: “só chineses transformam um sofá de couro num banho de ácido ou um berço em arma letal” ou “é preciso ser louco para comer comida chinesa”. As frases são creditadas a um certo Ron Vara, investidor fictício cujo nome é anagrama de Navarro. Ao Chronicle of Higher Education, que revelou a descoberta, Navarro reconheceu tratar-se de “pseudônimo usado para opiniões com valor de entretenimento, não fonte de fatos” e comparou Vara às pontas que o cineasta Alfred Hitchcock fazia em seus próprios filmes.

Infiltrada

A democrata preferida da extrema direita

A havaiana Tulsi Gabbard falou pouco no debate democrata da semana passada, mas não passou despercebido seu embate com Pete Buttigieg, único outro ex-soldado no palco. Por pouco, Tulsi não defendeu a política do governo Trump para a Síria. Isolacionista, defensora do ditador Bashar Assad (com quem se encontrou em 2017) e crítica de Israel, ela virou uma espécie de mascote em sites antissemitas e fóruns da extrema direita, onde foi apelidada “Mommy”. Trump, em 2016, era chamado “Daddy”.

​Online

Site apartidário mantém página conservadora

A empresa dona do RealClearPolitics, site apartidário que reúne pesquisas eleitorais e análises políticas, mantém desde 2014 uma página no Facebook dedicada à defesa de Trump, onde proliferam memes contra muçulmanos, revelou o Daily Beast. Com 800 mil seguidores, é o segundo conteúdo partidário associado a John McIntyre, fundador do RealClearMedia. “A página foi criada como parte de um esforço de entender o fluxo de tráfico das redes sociais para sites políticos”, diz um executivo da empresa.

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