German Federal Criminal Police/EFE
German Federal Criminal Police/EFE

Novidades no caso de Madeleine McCann trazem esperança de resolução, mas pais mantêm cautela

Depois de anunciar novo suspeito, autoridades alemãs dizem acreditar que menina está morta, na mais categórica declaração sobre o caso em 13 anos

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 20h52

BERLIM - A identificação de um novo suspeito no desaparecimento da garota britânica Madeleine McCann em Portugal deu esperança de resolução a um mistério midiático não resolvido por 13 anos. Mas apesar de considerarem os novos detalhes potencialmente significativos, seus pais mantêm a cautela após tantas decepções.

A menina britânica que desapareceu dias antes de completar 4 anos, e é conhecida como Maddie, teve sua fotografia estampada por meses nas páginas da imprensa europeia. Em 3 de maio de 2007, ela sumiu do quarto em que dormia com seus dois irmãos mais novos, sem vigilância, em um complexo turístico da região do Algarve português. Seus pais jantavam com amigos em um restaurante a alguns metros dali.

O anúncio sobre um novo suspeito dá mais uma guinada ao caso. Trata-se de um alemão já condenado por pedofilia e identificado por fontes em Portugal, segundo o jornal Guardian, como o alemão Christian Brückner, de 43 anos. Segundo a polícia alemã, ele teria vivido por vários anos em uma casa perto da Praia da Luz e trabalhado na região, em particular, com restauração.

Ele foi identificado, graças a uma "estreita colaboração" entre as polícias alemã, britânica e portuguesa, com informações recebidas pelos britânicos depois de um apelo lançado por ocasião do décimo aniversário do desaparecimento. Segundo a polícia alemã, há indícios de que o suspeito também ganhava a vida "cometendo crimes, incluindo assaltos em complexos hoteleiros e apartamentos de férias", além de tráfico de drogas.

Depois de anunciar na quarta-feira que investigava esse novo suspeito, hoje, o procurador do distrito alemão de Braunschweig, Hans Christian Wolters, declarou que os procuradores acreditam que a menina esteja morta. O caso, que vinha sendo tratado como desaparecimento, passa a ser visto como assassinato, apesar de a polícia britânica afirmar que ele continua sendo um inquérito de desaparecimento.

O corpo de Madeleine não foi encontrado até hoje. As declarações de que a menina possa estar morta foram as mais categóricas até agora. A família e os apoiadores do caso sempre tiveram a esperança de que Madeleine estivesse viva em algum lugar. O distrito de Braunschweig é o responsável pela investigação por ter sido o último endereço do suspeito antes de ele ser preso.

Carros, casa e telefonema sob investigação

O foco da investigação agora, de acordo com o Departamento Federal da Polícia Criminal da Alemanha, está em dois veículos, na casa onde o suspeito viveu na Praia da Luz e na identidade de uma pessoa que conversou com o suspeito no momento próximo ao desaparecimento de Maddie.

O primeiro veículo trata-se de uma van Volkswagen T3 do início dos anos 80, de cores branca e amarela e com placa portuguesa. A polícia acredita que o homem "teve acesso" ao veículo pelo menos de abril a maio de 2007. Para ela, o suspeito pode ter morado no veículo por dias, talvez semanas, e pode tê-lo utilizado em 3 de maio de 2007, o dia do desaparecimento da menina.

A polícia britânica chegou a ouvir possíveis testemunhas que viram este veículo na região do Algarve naquela noite de maio, nos dias anteriores ou semanas depois.

O segundo veículo é um Jaguar modelo XJR 6, de 1993, com placa alemã, que pode ter sido conduzido na Praia da Luz e em áreas próximas entre 2006 e 2007, originalmente registrado no nome do suspeito. Um dia após o desaparecimento de Madeleine, o veículo foi registrado com outro nome na Alemanha.

Os investigadores ressaltam que para alterar o registro não é necessário que o veículo esteja fisicamente presente no país, mas acreditam que, naquela altura, o carro ainda estava em Portugal.

A polícia ainda quer conversar com uma segunda pessoa, até agora não identificada, que falou com o suspeito alemão por um número de telefone português no dia do desaparecimento de Madeleine. Mais detalhes sobre a atual investigação não foram revelados. 

Os pais da menina, os médicos Kate e Gerry McCann, chegaram a ser detidos e depois inocentados durante uma rocambolesca investigação, que terminou com a demissão do inspetor-chefe português encarregado do caso. Depois de fechá-lo em 2008, a polícia portuguesa reabriu o caso cinco anos depois, sem sucesso. A polícia britânica iniciou sua própria investigação em julho de 2013, enquanto a Justiça portuguesa continua suas investigações e realiza audiências de testemunhas.

O porta-voz da família, Clarence Mitchell, declarou hoje que ela considera os novos eventos 'potencialmente muito significativos', mas preferem não falar sobre eles agora. "O desejo do casal é que o foco continue na polícia e não deles nesse momento", disse. "Foi a primeira vez em mais de 13 anos em que eu me lembre que a polícia está focando em um indivíduo."/COM REUTERS, EFE e AFP 

 

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