EFE/LEONARDO MUÑOZ
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Novo acordo de paz deve estar pronto antes do fim de novembro, diz Santos

Presidente colombiano evitou citar datas, mas disse que espera ter o texto final renegociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em sua mesa no máximo até o dia 10 de dezembro, quando receberá o Prêmio Nobel da Paz

O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2016 | 11h25

BOGOTÁ - O novo acordo de paz do governo da Colômbia com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deve estar concluído antes do fim de novembro, disse o presidente Juan Manuel Santos em entrevista exclusiva à Agência Efe.

"Reiniciamos um processo que deve terminar muito em breve, nas próximas semanas, não meses, mas semanas, para poder implementar a paz também o mais breve possível", afirmou o presidente ao se referir ao apoio que recebeu da comunidade internacional, especialmente dos que participam a parti de hoje da 25ª Cúpula Ibero-Americana.

Ao ser perguntado se no próximo dia 10 de dezembro, quando receberá em Oslo o Prêmio Nobel da Paz, anunciará ao mundo esse novo acordo, o presidente se absteve de falar em datas, mas disse que pode ser antes.

"Espero que esse novo acordo já pelo menos esteja sobre a mesa até essa data, não sei se colocado em prática, eu acredito que colocá-lo em prática iria precisar de um pouco mais de tempo, ou de repente sim, mas o objetivo do texto e de um novo acordo é que estejam prontos antes do fim de novembro", explicou Santos.

Reconhecimento. Santos também não descartou a convocação de outro plebiscito assim que for pactuado um novo acordo. "É uma alternativa que não pode ser descartada", disse, ao reconhecer que a derrota na consulta popular do dia 2 de outubro não estava em seus planos.

"É uma das alternativas que tenho à disposição". O presidente colombiano acrescentou que o país está "elaborando um novo acordo" e, quando estiver pronto, terá "várias possibilidades" de referendá-lo. "A própria Corte Constitucional determinou que podia sem permissão do Congresso convocar um novo plebiscito", afirmou, esclarecendo que os partidários do "não", que venceram na primeira votação, sabem que o terremoto político causado pela rejeição ao acordo de paz mudou o cenário.

Santos declarou que, como chefe de Estado, deve "optar pelo caminho que menos divida" a Colômbia na hora de referendar um novo acordo, pois "o país deve se unir, buscar a paz, buscar a união".

"Em todas partes do mundo estamos vendo sociedades polarizadas, a polarização estagna, a polarização não deixa que sejam tomadas decisões e que as sociedades progridam, então vou optar pelo caminho que menos divida o país", ressaltou. 

Essa via, segundo o presidente colombiano, pode ser "perfeitamente" uma referendação no Congresso. "Não descartei nenhum (rumo), e quando tivermos os novos acordos, dependendo da amplitude do consenso, vamos determinar qual caminho tomar", afirmou.

O presidente lembrou que convocou o plebiscito ao acordo de paz assinado com as Farc em 26 de setembro em Cartagena porque foi "uma promessa" que fez aos colombianos e pensou "desde o começo que era o correto a fazer", apesar de poder assinar a paz sem necessidade de fazer uma consulta popular.

"Era um passo tão importante que pensei que era o correto, que era o apropriado em uma democracia, e dar mais legitimidade à paz através de um plebiscito era o caminho que nos cabia tomar", alegou.

No entanto, o resultado das urnas o surpreendeu, porque o voto no "não" ao acordo de paz venceu com 50,21% dos votos, contra 49,78% do "sim".

"Nunca imaginei, confesso, nunca supus que iríamos ter o resultado que tivemos, mas novamente acredito que vamos nos sair melhor do que estávamos antes", disse. Santos declarou ainda que a derrota no plebiscito foi causada por "múltiplos fatores", entre eles "muita desinformação", e admitiu sua parcela de responsabilidade.

"Acredito que eu também sou responsável por não ter adotado a pedagogia apropriada e efetiva. Pensei que o povo conhecia os acordos, e estou me dando conta neste exercício do diálogo que iniciamos (com os líderes políticos e a sociedade colombiana) que o povo não os conhecia", afirmou. / EFE

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