Novo acordo de trégua será difícil com violação do Hamas, diz Obama

Presidente americano voltou a dizer que Israel tem o direito de se defender e cessar-fogo era maneira de interromper a morte de civis

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2014 | 16h17

(Atualizada às 17h05) WASHINGTON - Depois do colapso do cessar-fogo entre Israel e Hamas na manhã desta sexta-feira, 1, será difícil chegar a um acordo que leve à suspensão do combate novamente, disse o presidente dos EUA, Barack Obama, em entrevista na Casa Branca. Segundo ele, o sequestro de um soldado israelense pelo grupo palestino reduz a possibilidade de que a comunidade internacional e Tel-Aviv confiem em compromissos assumidos pelo Hamas.

O cessar-fogo de 72 horas anunciado quinta acabou menos de duas horas depois de iniciado, quando dois soldados israelenses morreram e um terceiro provavelmente foi sequestrado em um dos túneis construídos pelo Hamas entre Gaza e Israel. "Se eles (Hamas) são sérios em relação a resolver essa situação, o soldado deve ser libertado imediatamente e de maneira incondicional", declarou Obama.

O presidente americano responsabilizou o Hamas pelo fim da trégua e disse que há um "dilema" entre o direito de Israel de se defender e a preservação da vida de civis em Gaza, colocadas em risco quando o Hamas adota a prática de lançar foguetes a partir de áreas densamente povoadas.

"De um lado temos o direito de Israel de se defender, porque não deve ter foguetes sendo atirados e túneis construídos sob seu território. Do outro, em razão das ações irresponsáveis do Hamas, acabamos vendo pessoas que não têm nada a ver com esses foguetes sofrendo e morrendo", afirmou Obama, ressaltando que o cessar-fogo era uma forma de evitar a morte de civis.

Apesar das dificuldades, o presidente afirmou que sua administração continuará a trabalhar na busca de um cessar-fogo e de um acordo de longo prazo que coloque fim ao conflito entre israelenses e palestinos. Também disse que fará "tudo o que puder" para reduzir o número de vítimas civis em Gaza, onde pelo menos 1.400 pessoas morreram desde o início do conflito, no dia 8 de julho.

O presidente defendeu o secretário de Estado John Kerry e disse que ele foi alvo de "críticas injustas" por sua atuação na negociação de um cessar-fogo, na semana passada. A atuação de Kerry foi atacada duramente por Israel, que considerou suas propostas favoráveis ao Hamas.

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