Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Novo assessor de segurança dos EUA provoca temor de guinada militarista na Ásia

John Bolton, ex-embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), já defendeu o uso de força militar contra a Coreia do Norte e o Irã

O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 12h27

SEUL -  Já rotulado pela Coreia do Norte como “escória humana”, o novo assessor de segurança nacional do presidente norte-americano, Donald Trump, pediu uma mudança de regime no país isolado, despertando temores na Ásia antes de uma cúpula histórica entre Washington e Pyongyang.

+ Trump põe no comando da segurança nacional um linha-dura

Trump anunciou em um tuíte que está substituindo H. R. McMaster por John Bolton, ex-embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU) que já defendeu o uso de força militar contra a Coreia do Norte e o Irã e chegou a ser rejeitado por Pyongyang como negociador.

“Esta é uma notícia preocupante”, disse Kim Hack-yong, parlamentar conservador e diretor do comitê de defesa nacional do Parlamento da Coreia do Sul. “A Coreia do Norte e os Estados Unidos precisam dialogar, mas isso só faz com que se pergunte se as conversas acontecerão algum dia”.

Na Casa Azul presidencial de Seul, que vem sendo obrigada a transitar entre as personalidades imprevisíveis dos líderes de Pyongyang e Washington, as autoridades ficaram cautelosas.

“Nossa postura é que, se uma nova estrada se abre, temos que seguir aquele caminho”, disse um funcionário de alto escalão da Casa Azul a repórteres. “Bolton tem muito conhecimento das questões relativas à península coreana, e acima de tudo sabemos que ele é dos assessores do presidente dos EUA em quem se confia”.

A autoridade da Coreia do Sul disse que Chung Eui-yong, diretor da Agência de Segurança Nacional sul-coreana, ainda não conversou com Bolton e que a reação de Chung à demissão de McMaster “não foi ruim”.

Outra autoridade do governo de Seul lamentou a perda da camaradagem que McMaster desenvolveu com seu homólogo sul-coreano quando tratavam da questão nuclear norte-coreana juntos.

Os dois funcionários pediram para não serem identificados devido à delicadeza do tema./ REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.