Novo chanceler diz que não houve golpe em Honduras

O novo ministro de Relações Exteriores de Honduras, Enrique Ortez Colindres, disse hoje que a comunidade internacional deve respeitar a decisão do país de depor o presidente Manuel Zelaya. Colindres rechaçou que tenha havido um golpe de Estado no país. "Aqui não houve golpe de Estado porque os hondurenhos seguem regidos pela Constituição, que o governo anterior quis reformar sem nenhum fundamento e de maneira ilegal", afirmou o chanceler. "Com a influência do dinheiro e a propaganda esquerdista, se fez uma falsa imagem internacional de Honduras, que estamos dispostos a contestar."

AE-AP, Agencia Estado

29 de junho de 2009 | 11h48

Ortez Colindres disse que, "apesar de Honduras estar a ponto de entrar em colapso por uma loucura política e porque vivia na lei da selva, algumas nações tentam formar um bloco ideológico contra nós, o que trataremos de desarticular". Aludindo às ameaças do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de intervir militarmente em Honduras para devolver o poder a Zelaya, o ministro disse que "como vivíamos na lei da selva, qualquer tonto ameaça hoje nos invadir". E afirmou que, "apesar disso, buscaremos os amigos (não especificados) para enfrentar essa situação". "Hoje começaremos a viver de novo dentro da ordem jurídica", afirmou Colindres à rádio local HRN.

O novo presidente Roberto Micheletti também afirmou que o país sofre ameaças. Porém ressaltou que "cada hondurenho é um soldado, que defenderá sua pátria. Essas são especulações...e ninguém nos atemorizará". O Congresso designou Micheletti no domingo para concluir o mandato de Zelaya, de sete meses, que acaba em janeiro de 2010.

Pelo segundo dia consecutivo, continuam os apagões em grandes partes da capital e nas principais cidades hondurenhas. A Empresa Nacional de Energia Elétrica afirma que o problema se deve a "falhas técnicas", que tenta resolver rapidamente. Dezenas de partidários de Zelaya protestam em frente à Casa Presidencial, pedindo o retorno do presidente. Zelaya pretendia fazer uma consulta popular no domingo, para convocar uma Assembleia Constituinte a fim de reformar a Carta hondurenha, de 1982. Com isso, poderia tentar a reeleição. A Suprema Corte e os outros órgãos estatais afirmaram que essa consulta seria ilegal, por contrariar cláusulas pétreas da Constituição. Zelaya está agora em Manágua, na Nicarágua.

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