Novo chefe da Assembléia-Geral quer mais democracia na ONU

Uma ex-autoridade da Nicarágua setornou presidente da Assembléia-Geral da ONU na terça-feira eexigiu que o Conselho de Segurança, dominado pelas grandespotências, tenha menos poder. Em sua declaração de abertura da nova sessão anual daAssembléia, Miguel D'Escoto Brockmann pediu a "democratização"das Nações Unidas e fez duros ataques ao Banco Mundial e aoFundo Monetário Internacional (FMI). D'Escoto foi ministro das Relações Exteriores do governosandinista, que governou a Nicarágua de 1979 a 1990. Seudiscurso acontece apenas uma semana antes dele assumir a chefiada reunião anual da Assembléia-Geral, que reunirá líderesmundiais em Nova York. Ele anunciou planos para um "diálogo de alto nível" paradiscutir a "revitalização do poder" da Assembléia de 192nações, que receberiam poderes "erroneamente acumulados" peloConselho de Segurança, pelo Banco Mundial, pelo FMI e pelaburocracia da ONU. "A Assembléia-Geral deve ser mais pró-ativa e suasresoluções devem ser de cumprimento obrigatório", disse. "Aidéia de que a voz clara e inequívoca de 'Nós, os povos' deveser apenas uma recomendação, sem poder de fato, deve serenterrada para sempre em nosso passado antidemocrático." A Carta da ONU delimita as resoluções de cumprimentoobrigatório aos pelos 15 países do Conselho de Segurança, cujoscinco membros permanentes têm poder de veto. Para que oregulamento seja mudado, é preciso obter a aprovação de doisterços dos membros da ONU, incluindo os cinco membrospermanentes do Conselho de Segurança. D'Escoto disse que a democracia na ONU se tornou "um vaziocrescente, sem significado ou substância reais". Ele citou ofato de que os votos da Assembléia Geral contra o embargocomercial norte-americano a Cuba tiveram maioria de mais de 95por cento, mas isso não fez diferença. Nenhum país da Assembléia Geral tem poder de veto.

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