Novo chefe terá a missão de reerguer o Exército de Israel

O general Gaby Ashkenazi, escolhido neste domingo para ocupar o cargo de chefe do Exército israelense, terá a missão de reconstruir as Forças Armadas do país, mergulhadas em uma profunda crise desde o conflito no Líbano, em meados de 2006.Ashkenazi, um "buldozer" da Brigada de Pára-quedistas, como foidescrito pelo jornal Yedioth Ahronoth, retorna ao Exército após uma ausência de quase dois anos, período no qual ocupou o cargo deDiretor-geral do Ministério da Defesa. Sua nomeação foi decidida no domingo pelo primeiro-ministro, Ehud Olmert, e pelo ministro da Defesa, Amir Peretz, que "expressaram suaconfiança na aptidão de Ashkenazi para desempenhar plenamente ocargo e aplicar as lições da guerra do Líbano". Ainda ex-militar, Ashkenazi agora espera que sua nomeação seja aprovada pelo Governo e, antes, pela chamada Comissão Terkel,liderada por um juiz, que tem a incumbência de avaliar a aptidão dealtos comandantes e governantes para ocupar o cargo para o qualforam designados. O futuro substituto do general Dan Halutz, que renunciou devido àpressão da opinião pública, chega ao comando do Exército em meio auma grave crise provocada por um conflito que evidenciou a falta depreparo dos militares, e a ausência tanto de equipamento adequadocomo de uma comunicação eficaz entre os altos comandantes e osoficiais no campo de batalha. O objetivo do novo chefe do Exército será corrigir esses problemas e conquistar a confiança das forças reservistas, principais vítimas dos erros do conflito com o grupo radical xiita libanês Hezbollah. A chegada de Ashkenazi também indica um movimento do Exércitoisraelense em direção a um fortalecimento das forças terrestres, quetinham menos atenção do piloto de guerra Halutz. Analistas militares entenderam a nomeação de Halutz, em 2005,como uma aposta no poderio aéreo para confrontar o Irã, enquanto, emcerta medida, as necessidades e preparação das forças terrestreseram deixadas em segundo plano. O conflito com o Hezbollah, entre 12 de julho e 14 de agosto de2006, deixou claras as conseqüências negativas da aposta, poisdemonstrou que as forças reservistas não estavam capacitadas paraentrar em combate. Aos 53 anos, e após 33 de serviço ativo, Ashkenazi tem uma vastaexperiência militar. O novo chefe do Exército alistou-se em 1972, e um ano depoisparticipou da Guerra do Yom Kippur. Em 1978, fez parte das forças que lançaram a Operação Litani,primeira invasão do Líbano. Em 1982, esteve presente na segundainvasão do país vizinho. Participou ainda de diversas operações, entre elas a de Entebbe,em 1976, na qual forças israelenses resgataram os passageiros de umavião da Air France seqüestrado por milicianos palestinos. Tornou-se alto oficial em 1988, quando foi nomeado comandante daBrigada Golani, e dez anos depois assumiu a chefia do ComandoMilitar Norte, com jurisdição na fronteira israelense-libanesa. Nesse cargo, liderou, em maio de 2000, a retirada israelense do sul do Líbano, após 18 anos de ocupação, e alertou que a medida fortaleceria o Hezbollah. Casado e pai de dois filhos, é formado na Academia Militar israelense e na Academia Militar de Marines dos Estados Unidos. Tem ainda uma graduação em Ciências Políticas, bem como um título superior de Harvard em Administração de Empresas Internacionais.

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