Novo comandante seguirá mesmas orientações de antecessores no Haiti

O novo comandante da Força de Paz das Nações Unidas no Haiti, general José Elito Carvalho de Siqueira declarou ao Estado, ontem à noite, seis horas depois de desembarcar em Porto Príncipe, que manterá no posto a mesma orientação que, de acordo com o mandato recebido do Conselho de Segurança, vinham seguindo seus antecessores. Até agora comandante da 6.ª Região Militar, em Salvador, o general Elito, sergipano, 59 anos, substitui o general Urano Bacellar, que foi encontrado morto, na manhã do dia 7, em seu apartamento, no Hotel Montana, em Pétion Ville, na área metropolitana da capital. Antes dele, ocupou o comando das tropas da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), o general Augusto Ribeiro Pereira."A orientação não depende de nós, mas do mandato que recebemos das Nações Unidas e que temos de cumprir para a estabilização do país", disse o general Elito, acrescentando que a Força de Paz - 7.300 homens, de 21 países, sob a liderança do Brasil - não é uma força de ocupação. "Agimos dentro daquilo que a ONU estabelece", afirmou o novo comandante. Além dos militares, a Minustah, que é chefiada pelo embaixador chileno Juan Gabriel Valdéz, tem um corpo policial, de cerca de 1.800 homens, de 30 países.O general Elito disse estar consciente da gravidade dos problemas que vai enfrentar, mas garante estar tranqüilo. "A situação está melhor hoje do que um ano e meio atrás, quando a Força de Paz chegou ao Haiti", declarou o general, depois de uma reunião preliminar no quartel-general da Minustah. Antes da reunião, o comandante do Exército do Brasil, general Francisco Albuquerque, condecorou o comandante interino da Força Militar, o general chileno Eduardo Aldunate, com a Medalha do Pacificador. O embaixador Gabriel Valdez e o general Manoel Luís Valdevez Castro, conselheiro da Missão Permanente do Brasil na ONU, participaram da reunião. À noite, os oficiais brasileiros, que voaram juntos de Nova York para Porto Príncipe, jantaram com Gabriel Valdéz na residência do embaixador do Brasil no Haiti, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto. "Apenas cumprimentei o embaixador Valdéz, mas pretendo conversar com ele durante o jantar", disse o general Elito pouco antes de se dirigir para a embaixada. O novo comandante está hospedado no Montana, o mesmo hotel em que residia o general Bacellar. Hoje, o novo comandante passaria o dia conversando com oficiais do Estado-Maior da Minustah para se informar sobre a situação do Haiti. "Nossa preocupação imediata é tomar medidas para garantir segurança e tranqüilidade às eleições (presidencial e legislativas) marcadas para 7 de fevereiro", disse o general Elito. O comandante geral da Força de Paz vai assumir o posto às 10 horas da manhã de segunda-feira. "A cerimônia será realizada na base brasileira do Batalhão Haiti, porque, conforme me informaram, é o local mais conveniente para esse tipo de solenidade", declarou. A base, que aloja dois terços dos 1.200 homens do Exército e do Corpo de Fuzileiros Navais em serviço em Porto Príncipe, ocupa um campus universitário que nunca foi usado pelos estudantes. Ontem de manhã, representantes dos países doadores (Estados Unidos, França, Canadá e União Européia) e de todos os países com tropas no Haiti fizeram uma reunião com candidatos e delegados de partidos para discutir a situação política e medidas de segurança para as eleições. À tarde, a reunião foi com o Conselho Eleitoral Provisório (CEP), responsável pelo registro de eleitores, distribuição de cédulas de identidade e instalação das urnas eleitorais. "Foram reuniões muito proveitosas", informou Ricardo Seitenfus, professor de Direito Internacional na Universidade Federal de Santa Maria (RS) e consultor do governo brasileiro.

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