Novo confronto com polícia deixa 4 mortos no Egito

Quatro pessoas foram mortas a tiros quando simpatizantes da Irmandade Muçulmana entraram em confronto com a polícia no Cairo e em outras cidades do Egito nesta sexta-feira, em desafio a uma repressão cada vez maior do governo sobre o movimento islâmico.

MAGGIE FICK, Reuters

03 de janeiro de 2014 | 15h36

Islâmicos contrários à derrubada do presidente Mohamed Mursi pelo Exército em julho continuam a realizar manifestações diárias, mesmo depois de o governo classificar a Irmandade como um grupo terrorista, na semana passada, aumentando as penalidades para os dissidentes.

O governo se vale da nova classificação para prender centenas de apoiadores da Irmandade. Outros milhares, incluindo os principais líderes do grupo, estão presos há meses. Eles foram detidos na sequência da tomada do poder pelo Exército.

Um homem e uma mulher foram mortos a tiros durante os confrontos entre manifestantes que apoiam a Irmandade e policiais na cidade costeira de Alexandria, segundo fontes médicas e de segurança. Houve relatos conflitantes sobre se a mulher era um manifestante ou apenas uma observadora.

Outro manifestante foi morto a tiros pela polícia na cidade de Ismailia, no Canal de Suez, durante uma passeata que partiu de uma mesquita após as orações do meio-dia, segundo fontes médicas.

Na província rural de Fayoum, a sudoeste do Cairo, um manifestante morreu atingido por uma bala na cabeça, disse Medhat Shukri, um funcionário local do Ministério de Saúde, à Reuters.

A Irmandade -o mais antigo e mais organizado movimento islâmico do país- não está sob pressão apenas por causa das prisões em massa de seus membros, ordens para congelar bens de líderes, bem como a designação do grupo como uma organização terrorista.

Uma nova Constituição a ser votada este mês também proíbe os partidos políticos de caráter religioso e dá mais poder aos militares.

O referendo a ser realizado em 14 e 15 de janeiro é considerado um marco no roteiro que as autoridades apoiadas pelo Exército traçaram para um retorno ao regime democrático em meados do ano.

(Com reportagem de Yusri Mohamed em Ismailia e Mohamed Abdalla no Cairo)

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