Carl de Souza/AFP
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Novo coronavírus atinge marca de meio milhão de casos no mundo

Número de mortes provocadas pela covid-19 passa de 22 mil, com taxa de letalidade global de cerca de 4,5%; saiba mais sobre como os países estão lidando com a crise

Guilherme Bianchini, Especial para o Estado

26 de março de 2020 | 15h09
Atualizado 26 de março de 2020 | 21h51

NOVA YORK - O número de infectados pelo novo coronavírus em todo o mundo ultrapassou nesta quinta-feira, 26, a marca de 500 mil. O avanço é impulsionado pelos números de Itália, Espanha e EUA, que hoje ultrapassou a China em número total de infecções. Nas últimas 24 horas, autoridades americanas registraram quase 15 mil novos casos, elevando o total do país a quase 82 mil doentes – os chineses têm 81,3 mil.

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Segundo a contagem da Universidade Johns Hopkins, mais de 23 mil pessoas morreram no mundo em razão da pandemia, com uma taxa de letalidade global de 4,5%. Se os EUA são os que registram mais casos por dia, é na Itália onde ainda há o maior número de mortos. Hoje, segundo autoridades italianas, 712 pessoas morreram. 

Saiba como o mundo está lidando com a crise:

 

Enquanto os asiáticos passam por grande desaceleração no número de novos pacientes, os europeus vivem situação preocupante. Quarta com mais casos (56.197), a Espanha é a segunda no número de mortes, com 4.145.

Apenas 22 países em todo o planeta ainda não confirmaram nenhum caso da covid-19, mas é provável que haja subnotificação em grande parte do grupo. Dez dos países estão na Oceania, seguida por África (oito) e Ásia (quatro). Todas as nações da América e da Europa já foram afetadas pela doença.

'Perda de tempo precioso'

Cerca de 2,8 bilhões de pessoas, ou mais de um terço da população da Terra, estão sob severas restrições de isolamento. Mas o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, repreendeu os líderes mundiais por perder um tempo precioso na luta contra o vírus que já matou mais de 22 mil pessoas, infectou mais de 500 mil, forçou milhões de pessoas a trabalharem em casa e devastou a economia mundial.

“Desperdiçamos a primeira janela de oportunidade. ... Esta é uma segunda oportunidade, que não devemos perder e fazer de tudo para suprimir e controlar esse vírus”, afirmou.

Na Índia, onde o governo ordenou que 1,3 bilhão de pessoas ficassem em casa, há um número incontável de desempregados e muitas famílias encontram dificuldades para comer.

“Nossa primeira preocupação é com comida, não com o vírus”, disse Suresh Kumar, de 60 anos, um motorista de riquixá de Nova Délhi. Sua família, de seis pessoas, depende de seus ganhos diários de apenas 300 rúpias, ou cerca de US$ 4. “Não sei como vou fazer.” 

A África do Sul iniciará o isolamento à meia-noite (hora local). Lá foram registrados mais de 700 casos da covid-19, o mais alto número no continente. 

Nos Estados Unidos, onde as mortes passaram de mil, o dano causado à economia ficou claro quando o número dos que solicitaram salário-desemprego em uma semana foi quase cinco vezes o recorde anterior, estabelecido em 1982.

Ao mesmo tempo, há uma batalha política entre os que exigem ações urgentes e restritivas contra a pandemia, como o governador de Nova York, Andrew Cuomo, e o presidente Donald Trump

Trump expressou esperança de que as igrejas voltem ao normal na Páscoa, em 12 de abril, alegou que os EUA “não foram construídos para serem fechados" – aparentemente preocupado com o fato de que os efeitos devastadores do surto nos mercados financeiros e no emprego prejudiquem suas chances de reeleição. Os democratas dizem que Trump está colocando a economia à frente da saúde e segurança dos americanos.

Na Itália, médicos e enfermeiras imploraram ao governo que fornecesse mais máscaras, luvas e óculos de proteção e instaram o público a entender quão importantes são as medidas onerosas de distanciamento social. Os cientistas dizem que impedir uma pessoa de pegar o vírus significa que muitas outras pessoas não serão infectadas no futuro.

A taxa de infecções na Itália diminuiu um pouco, segundo observou o chefe do escritório europeu da OMS, Hans Kluge. Ele disse que as autoridades esperam descobrir em breve se as medidas de bloqueio em vários países funcionaram. 

Testes precoces

A Alemanha teve um alto número de infecções, em mais de 39 mil pessoas, mas apenas 222 mortes - amplamente atribuídas a testes precoces e agressivos, entre outros fatores.

Na quinta-feira, Lothar Wieler, chefe do centro de controle de doenças Robert Koch da Alemanha, disse que o país agora pode testar 500 mil pessoas por semana, talvez a maior capacidade do mundo. Os líderes da União Europeia mantiveram nesta quinta-feira sua terceira cúpula em três semanas sobre o vírus para gerenciar os danos causados em suas 27 economias.

Como o número de mortes na Europa ultrapassou os 12 mil, a Espanha estendeu o estado de emergência que permite impor bloqueios mais amplos, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, lançou a Operação Resiliência, uma resposta militar em apoio à crise. O país começou a retirar cidadãos infectados de locais na Alsácia usando um trem especial de alta velocidade. 

O Reino Unido encomendou 10 mil respiradores, trabalhando com engenheiros da Dyson. O governo quer aumentar seu suprimento de aparelhos respiratórios de 8 mil para 30 mil. 

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Para a maioria das pessoas, o coronavírus causa sintomas leves ou moderados, como febre e tosse, que desaparecem de duas a três semanas. Para alguns, especialmente idosos e pessoas com problemas de saúde existentes, ele pode levar a doenças mais graves, incluindo pneumonia e morte.

Até agora, mais de 115 mil pessoas se recuperaram do vírus, de acordo com uma contagem mantida pela Universidade Johns Hopkins. Os casos da China desaceleraram, com apenas 67 novos casos relatados, todos recém-chegados. 

Os líderes do Grupo das 20 maiores economias realizaram uma videoconferência especial para coordenar melhor a resposta ao surto, em meio a críticas de que os países mais ricos do mundo não adotaram ações coesas. A conferência foi presidida pelo rei Salman da Arábia Saudita./AP e NYT  

 

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