Novo engajamento de tropas no Iraque terá duração indefinida

Uma das poucas dúvidas que ainda restavam sobre a nova estratégia dos Estados Unidos para o Iraque foi posta às claras nesta quarta-feira, pelo secretário de Defesa americano, Robert Gates. Em entrevista coletiva concedida com o objetivo de explicar os novos planos da administração e convencer uma cética opinião pública americana acerca da necessidade de um novo engajamento de soldados no país árabe, Gates explicou que permanece incerto quanto tempo o novo contingente permanecerá no Iraque. Em um esperado discurso feito na noite de quarta-feira, o presidente americano, George W. Bush, anunciou que enviará mais 21,5 mil homens para Bagdá e para a província de Anbar, com a determinação de ajudar as forças iraquianas a estabilizar a situação nas conturbadas regiões. Inicialmente, previa-se que o incremento duraria pouco tempo. "O aumento (de tropas) é visto como temporário, mas eu acho que ninguém tem ainda uma idéia clara sobre quanto tempo ele durará", disse Gates. Ele acrescentou, entretanto, que os Estados Unidos saberão rapidamente se os iraquianos estão comprometidos com a sua parte do acordo. Em seu discurso nesta quarta-feira, Bush foi duro em relação à necessidade de uma ampliação das forças de segurança locais pelo governo iraquiano. "Deixei claro ao primeiro-ministro e às demais autoridades iraquianas que o compromisso dos EUA não é eterno. Se o governo iraquiano não cumprir as suas promessas, perderá o apoio do povo americano e do iraquiano. Chegou a hora de atuar. O primeiro-ministro entende isso", disse o presidente na quarta-feira. A coletiva concedida por Gates vem em um momento em que a administração Bush trabalha para persuadir a maioria democrata no Congresso americano a aceitar o incremento no número de soldados como uma última boa chance de reverter o caos que toma conta do Iraque. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, também participou do encontro com os jornalistas. "Todos os americanos sabem que os desafios no Iraque são enormes, e nós compartilhamos a idéia de que a atual situação é inaceitável. Nisso, estamos unidos", disse Condoleezza. Ceticismo A oposição democrata reagiu com ceticismo ao novo plano anunciado por Bush. "Nós não vamos ser as babás de uma guerra civil", disse o popular senador democrata e possível pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama. O congressista afirmou que a maioria democrata no Congresso não irá propor a diminuição do número de tropas que já se encontra no Iraque, mas destacou que procurará maneiras de impedir que o presidente expanda a missão.As opções dos democratas, entretanto, são limitadas. Os líderes do partido já propuseram um resolução de desaprovação em relação ao novo plano, mas a declaração não tem caráter mandatório. Além disso, há a opção de acrescentar uma lista de condições para restringir a aprovação da lei de liberação dos gastos com o engajamento de mais tropas.Durante a coletiva, Gates também afirmou que recomendará um aumento em 92.000 no número de soldados e marines das Forças Armadas americanas em um prazo de cinco anos. O secretário explicou que sua proposta consiste em aumentar a capacidade do Exército em 65 mil novos soldados, e a do Corpo de fuzileiros Navais em 27 mil novos efetivos.A ênfase será colocada em "aumentar a capacidade de combate".Após ressaltar que as novas tropas precisarão de algum tempo para estarem disponíveis para um eventual desdobramento, o secretário de Defesa insistiu na importância de que os atuais membros das forças armadas saibam que poderão contar com reforços.Ao mesmo tempo, Gates anunciou mudanças para a mobilização dos militares na reserva, que, segundo ele, são necessárias para enfrentar desafios globais atuais, como o conflito iraquiano.Esforço diplomáticoEm sua participação na coletiva, Condoleezza explicou os detalhes civis do planoapresentado pelo presidente. Entre as medidas destaca pela secretária de Estado, está uma viagem que ela fará a partir de sexta-feira pelo Oriente Médio para, entre outras questões, tentar fazer com que os países aliados na região se envolvam mais no processo de estabilização do Iraque."Os EUA defenderão seus interesses e os de nossos amigos e aliados nesta região vital", acrescentou Condoleezza, que reiterou que na lista de nações aliadas não estão nem Síria nem Irã.

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