Novo escândalo vincula casal Kirchner a Chávez

Ex-embaixador argentino em Caracas denuncia na Justiça o suborno de exportadores e a malversação de um fundo financeiro conjunto

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

O ex-embaixador argentino em Caracas, Eduardo Sadous, informou à Justiça que integrantes dos governos venezuelano e argentino por vários anos exigiram a exportadores de ambos os países o pagamento de propinas de 15% a 20%.

Sadous também acusou os dois governos de manipular de forma irregular o fundo fiduciário argentino-venezuelano. O novo escândalo que liga o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, ao venezuelano Hugo Chávez, também envolve o poderoso ministro do Planejamento, Julio De Vido.

De Vido, principal negociador dos acordos comerciais com a Venezuela, qualificou a denúncia de uma "calúnia". Segundo a deputada opositora Elisa Carrió as propinas eram de 25% - 15% ficavam para os venezuelanos e 10%, para os argentinos.

O novo escândalo também envolve um antigo aliado de De Vido - Claudio Uberti, acusado em 2007 de participação do "caso da maleta", um escândalo que despertou suspeitas sobre um eventual financiamento de Chávez à campanha presidencial de Cristina. Diretor do departamento de pedágios rodoviários, Uberti era considerado o "embaixador paralelo" em Caracas.

Irregularidades. Sadous diz que empresários argentinos do setor de alimentos e máquinas agrícolas que não pagaram as propinas foram prejudicados. ele também afirma que, durante seu período à frente da missão em Caracas, de 2002 a 2005, ele avisou Buenos Aires dos problemas no fundo conjunto.

Em uma mensagem interna, Sadous teria informado o Palácio San Martín - sede da diplomacia argentina - que a Venezuela não havia depositado os US$ 90 milhões que devia. A resposta veio de outro ministério, o do Planejamento: "Somos nós que lidamos com esse assunto."

Segundo o ex-embaixador, os US$ 80 milhões depositados pelo governo Chávez no fundo, em Nova York desapareciam durante alguns dias, pois voltavam à Venezuela para serem vendidos no mercado negro. Na sequência, de acordo com Sadous, eles eram usados para "comprar dólares no câmbio oficial e alguém ficava com os US$ 13 milhões de diferença".

Sadous foi substituído na embaixada argentina por Nilda Garré, simpatizante de Chávez. Pouco depois, Kirchner enviou para chefiar a representação argentina em Caracas a ex-líder do sindicato das comissárias de bordo Alicia Castro. A designação teria sido um pedido do próprio Chávez.

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