Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Haiti reassume segurança sob ameaça de furacão

Comandante brasileiro afirma que pessoal necessário para prestar assistência em caso de um desastre natural ainda está no país

Luciana Garbin, enviada especial / Porto Príncipe, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 18h47

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti  (Minustah), que esteve sob comando militar do Brasil por 13 anos, encerrou ontem suas operações. A segurança do país ficará a cargo da polícia do Haiti com apoio de policiais da ONU. No último dia da missão de paz, um dos temas foi a preocupação com a possibilidade de um furacão atingir o país nos próximos dias.

Segundo serviços de meteorologia, a tempestade tropical Irma deve se tornar um furacão no Oceano Atlântico. Segundo o comandante da missão, o general brasileiro Ajax Porto Pinheiro, se continuar a crescer e mantiver a rota, o Irma pode atingir a República Dominicana na quinta-feira e chegaria ao Haiti horas depois. O general diz, no entanto, que todo o pessoal necessário para prestar ajuda ao país em caso de um desastre natural ainda está no Haiti.

Em encontro com o ministro da Defesa brasileiro, Raul Jungmann, o primeiro-ministro haitiano, Jack Guy Lafontant, agradeceu. Ele lembrou da ajuda do País principalmente em momentos difíceis, como o terremoto de 2010, e indicou preocupação com o futuro. “Com a partida da Minustah, o Haiti volta à vulnerabilidade”, afirmou, referindo-se a catástrofes ambientais. 

 No ano passado, o furacão Matthew deixou cerca de mil mortos e devastou parte do país. Na ocasião, o comando da missão enviou um pelotão de fuzileiros navais e uma companhia de engenharia para a região que seria atingida, dois dias antes do furacão chegar. Eles ajudaram a desobstruir estradas para que a ajuda humanitária pudesse chegar.

O fim das ações do contingente militar preocupa parte da população haitiana, que teme o aumento da criminalidade. Relatório da ONU indica que já houve crescimento do número de homicídios em alguns meses do primeiro semestre. Há uma parcela da população que, com pouco acesso aos meios de comunicação, ignora o fim da Minustah.

Nas ruas, o Estado tem testemunhado três tipos de reação quando passam os veículos militares brasileiros. Alguns dão sinais de aprovação, uma parte ofende e grita “ale lacay”, que em crioulo significa vão pra casa, e a maioria é indiferente.

Sobre a ausência de um representante do governo haitiano na cerimônia de encerramento das atividades da Minustah, o general diz que foi um acordo porque tropas de vários países, como Chile, Paraguai e Guatemala, também realizaram eventos. “Para que eles não tivessem de comparecer a todas, vamos convidar na última solenidade geral, que será realizada no dia 5 de outubro.” Outra ausência foi a do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. O Ministério da Defesa alegou que ele não participou por questão de saúde.

 

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