TV estatal egípcia/AP
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Novo gabinete toma posse no Egito sem nenhum ministro islamita

Irmandade Muçulmana, do presidente deposto Morsi, chamou governo de 'ilegítimo'

O Estado de S. Paulo,

16 de julho de 2013 | 17h53

CAIRO - Os líderes egípcios apoiados pelo Exército deram posse a um gabinete interino nesta terça-feira, 16, sem nenhum ministro que represente algum dos dois grupos islâmicos do país que venceram cinco eleições seguidas desde 2011.

A noite de segunda-feira foi de violência nas ruas do Egito. Sete pessoas foram mortas e mais de 260 ficaram feridas em batalhas entre partidários do presidente deposto, Mohamed Morsi, e as forças de segurança.

Em um salão do palácio presidencial, 33 ministros, em sua maioria liberais e tecnocratas, receberam a posse do presidente Adli Mansour, um juiz instalado como chefe de Estado pelo Exército quando os militares depuseram Morsi em 3 de julho.

O chefe das Forças Armadas, Abdel Fattah Al-Sisi recebeu o cargo de primeiro vice do primeiro-ministro interino, Hazem el-Beblawi, um economista liberal de 76 anos que recebeu a missão de estabelecer um "roteiro" para restaurar o poder civil e consertar a economia do país.

A Irmandade Muçulmana, movimento de Morsi, criticou a posse. "É um governo ilegítimo, um primeiro-ministro ilegítimo, um gabinete ilegítimo. Não reconhecemos nenhum deles. Sequer reconhecemos a autoridade deles como representantes do governo", disse o porta-voz Gehad El-Haddad à Reuters.

Nenhum dos novos ministros pertencem à Irmandade ou à Nour, o outro grande grupo islâmico do país. Juntos, eles venceram as eleições parlamentares e dois referendos constitucionais desde a revolta de 2011 que derrubou o ditador Hosni Mubarak.

O Exército disse que estava atendendo a vontade popular quando derrubou Morsi depois que milhões foram às ruas para exigir sua renúncia no fim de junho.

Um porta-voz de Mansour, o presidente interino, afirmou que a Nour e a Irmandade receberam ofertas para integrar o gabinete e disse acreditar que os dois grupos participariam da transição. A Irmandade afirma que não vai ceder em sua exigência para que Morsi volte ao poder e a Nour afirmou que está reservando julgamento sobre o gabinete por enquanto./ REUTERS

 
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