Novo governo afegão enfrenta primeira crise

Em seu segundo dia na chefia do governo interino do Afeganistão, Hamid Karzai teve de lidar hoje com a primeira crise, desencadeada pelo pesado bombardeio norte-americano contra um comboio afegão na sexta-feira, no qual morreram mais de 60 pessoas. Dirigentes afegãos dizem que os 15 veículos levavam anciãos e líderes tribais que iam participar da cerimônia de posse de Karzai, no sábado, em Cabul. Um importante representante dos pashtuns, a principal etnia afegã, à qual Karzai pertence, ameaçou o novo governo que outros bombardeios letais com uma rebelião armada. "Se os aviões americanos realizarem outro ataque agressivo contra Khost (a região bombardeada, a leste de Cabul), vamos tomar medidas contra a administração de Karzai", disse à agência AIP um chefe tribal de nome Gulabdin. A AIP era ligada ao regime taleban e tem sede no Paquistão. O Departamento de Defesa (Pentágono) dos Estados Unidos mantinha neste domingo sua alegação de que o comboio transportava líderes do Taleban e da organização terrorista Al-Qaeda, de Osama bin Laden. Mas um porta-voz do Pentágono disse que militares norte-americanos estão na região investigando os fatos. "Não há membros da Al-Qaeda nem partidários de Bin Laden aqui", disse um morador do vilarejo de Asmani Kilai, perto de Khost. Karzai estava tentando acalmar os ânimos dos chefes tribais da região atacada. Ao mesmo tempo, mostrava-se animado após a primeira reunião. "Excelente. Absolutamente perfeita", comentou Karzai sobre a reunião, no palácio presidencial. "O tema principal foi a segurança no Afeganistão?. A criminalidade aumentou estrondosamente após a queda do rígido regime taleban e o fim da guerra civil. Serviços básicos - O gabinete interino, formado por Karzai e 29 ministros, debateu também a reconstrução dos serviços básicos do país e Karzai voltou a pedir ajuda internacional para as obras. Vários ministros chegaram com escoltas armadas. Tropas estrangeiras podem começar a chegar a Cabul esta semana mas a maioria dos soldados da força multinacional aprovada para garantir a segurança do país deve levar até um mês para desembarcar. Karzai disse à TV CNN que as forças norte-americanas permanecerão no país até "a completa eliminação dos terroristas" e acrescentou nada saber do paradeiro de Bin Laden embora tenha recebido informações, dois dias antes, sobre o "possível" destino do líder taleban, o mulá Mohamed Omar. "Ele não está sendo protegido", garantiu. Já o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, declarou hoje que "há uma grande possibilidade de que Bin Laden tenha sido morto nos bombardeios no Afeganistão.

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