Novo governo afegão toma posse em meio a disputas e violência

Autoridades dos EUA afirmam que Afeganistão assinará na terça-feira acordo para manter as tropas americanas no país

O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 11h44

CABUL - O Afeganistão empossou nesta segunda-feira, 29, o novo presidente em uma década, oficializando o tecnocrata Ashraf Ghani como chefe de um governo com poder compartilhado, em um momento no qual a saída de grande parte das tropas estrangeiras se coloca como um teste ao país.

Entre os primeiros atos do novo presidente, ocorrerá a assinatura de um acordo de segurança com os EUA após a saída da missão da Otan, a Isaf, no final deste ano. Autoridades americanas afirmaram que o acordo será assinado na terça-feira e permitirá a permanência de tropas americanas no país.

A primeira transferência democrática de poder na história do Afeganistão tem sido tudo menos suave: o acordo para um governo de união foi concretizado após meses de impasses sobre uma eleição na qual tanto Ghani como o adversário Abdullah Abdullah reivindicavam vitória.

Em seu discurso de posse, Ghani fez um apelo para que o Taleban e outros grupos militantes se juntem às negociações de paz e encontrem um desfecho para mais de uma década de violência. Milhares de afegãos são assassinados a cada ano na insurgência. "A segurança é a principal demanda de nosso povo e estamos cansados dessa guerra", disse Ghani. "Estou pedindo ao Taleban e ao Hezb-i-Islami que se preparem para negociações políticas."

O Hezb-i-Islami é uma facção islamita relativamente aliada ao Taleban.

Ghani também prometeu reprimir a crescente corrupção e pediu pela cooperação interna no governo de coalizão. "Um governo de unidade nacional não é sobre compartilhar poder, mas sobre trabalhar juntos."

A frágil coalizão já demonstra sinais de tensão. Uma disputa por espaço no gabinete e um possível discurso de Abdullah na posse levou o grupo dele a ameaçar um boicote à cerimônia, disse um assessor de Abdullah, acrescentando que a disputa foi resolvida após reuniões de última hora com o embaixador dos EUA.

Atentado. Numa demonstração dos problemas que aguardam o novo presidente, um homem-bomba matou sete pessoas em um posto de controle de segurança perto do aeroporto de Cabul, momentos antes da posse, disse uma autoridade de governo. O Taleban assumiu a responsabilidade pelo atentado.

A posse de Ghani marca o fim de uma era com a saída do presidente Hamid Karzai, líder dos afegãos desde que a invasão de 2001, liderada pelos EUA, derrubou o Taleban, que havia oferecido abrigo à Al-Qaeda. / EFE e REUTERS

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