Novo governo ainda não foi formado no Quirguistão, diz líder da oposição

Roza Otunbayeva reiterou renúncia de presidente do país e afirmou que coordena formação de novo governo

07 de abril de 2010 | 18h13

Reuters

 

BISHKEK- Uma líder da oposição do Quirguistão, Roza Otunbayeva, afirmou nesta quarta-feira, 7, que ela é "coordenadora temporária" de um novo grupo governante o qual ela afirmou que destituiu o governo de Kurmanbek Bakiyev hoje.

 

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"O novo governo ainda não foi formado. Eu estou o coordenando, o mediando", disse Roza, uma ex-ministra de Relações Exteriores, por telefone à Reuters de Bishek, capital do país.

 

Segundo os opositores, a renúncia do governo foi fruto de um acordo. "Chegamos a um acordo que o governo deveria renunciar. Isso, entretanto, ainda não foi assinado", disse Galina Skripkina, do Partido Social Democrata.

 

De acordo com autoridades do Ministério da Saúde, ao menos 47 pessoas morreram e outras 400 ficaram feridas nos confrontos entra manifestantes e forças de segurança do país. Líderes da oposição, porém, contabilizam mais de cem mortos, embora os dados não possam ser confirmados.

 

Os protestos desta quarta no Quirguistão se iniciaram após a prisão de dez líderes oposicionistas, posteriormente libertados. As manifestações, porém, tomaram grandes dimensões e os partidários de Sariyev, que estava entre os políticos detidos, invadiram a sede do governo. O Parlamento foi tomado a Promotoria de Bishkek incendiada.

 

As tensões no país aumentaram devido o crescimento das políticas autoritárias do presidente Bakiyev, segundo grupos defensores dos direitos humanos. Os manifestantes pediam a renúncia do mandatário e haviam dito que estariam dispostos a se reunir com o ele.

 

O descontentamento popular com a pobreza, a inflação e a corrupção dominam o Quirguistão desde o começo de março. Cerca de um terço da população vive abaixo da linha da pobreza, e as remessas financeiras de emigrantes na Rússia caíram durante a crise financeira global.

 

Estados Unidos, Rússia e a vizinha China são importantes fontes de doações para o Quirguistão. O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, negou qualquer interferência de Moscou nos confrontos. "Nem a Rússia nem (este) seu humilde servidor, nem (quaisquer outras) autoridades russas têm quaisquer ligações com quaisquer desses eventos", disse Putin à agência RIA.

 

Fronteira

 

A fronteira do Quirguistão com o Cazaquistão foi fechada nesta quarta a pedido de autoridades Cazaques.

 

"Cazaques não podem ir ao Quirguistão agora e nossos cidadãos não podem ir ao Cazaquistão", afirmou o porta-voz do Serviço de Controle da fronteira quirguiz, Dzhoodar Isakonov, por telefone à Reuters.

 

Ele se recusou a dizer por quanto tempo a fronteira continuaria fechada, mas declarou que isso "depende da situação política" do Quirguistão.

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