Novo governo de Honduras diz que país está 'falido'

A nova administração hondurenha começou a funcionar ontem, afirmando que a nação está "falida" e vai precisar de assistência financeira internacional para se recuperar de meses de isolamento diplomático, após o golpe de junho passado.

AE-AP, Agencia Estado

29 de janeiro de 2010 | 10h03

O presidente Porfirio Lobo assumiu junto com seu gabinete, que inclui William Chong, o novo ministro das Finanças. Chong afirmou que o presidente de facto, Roberto Micheletti, deixou apenas US$ 50 milhões nos cofres do governo. Ele também disse que a administração Lobo terá de se aproximar de entidades internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fim de obter empréstimos.

O ministro falou ainda que o país, antes já considerado pobre, está agora falido, após meses de isolamento e cortes na ajuda internacional em razão do golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya em 28 de junho. Zelaya foi expulso do país, mas voltou e, desde 21 de setembro, estava abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Na quarta-feira, ele deixou o país no âmbito de um acordo firmado por Lobo e pelo presidente dominicano, Leonel Fernández. Zelaya seguiu para a República Dominicana no avião de Fernández.

O primeiro dia do novo governo também foi marcado por incursões policiais logo no início do dia, que resultaram em 41 prisões e várias armas apreendidas na capital. Em Tegucigalpa, a polícia realizou 23 buscas, que levaram a apreensão inclusive de um lançador de granadas. Não estava claro se entre os detidos havia também partidários de Zelaya.

Comissão da verdade

Lobo venceu as eleições presidenciais de novembro, que estavam marcadas antes do golpe, mas foram realizadas sob o governo de Micheletti. O secretário-assistente de Estado norte-americano para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, disse que era importante para Honduras criar uma comissão da verdade, para investigar os eventos que levaram ao golpe. Segundo Valenzuela, Lobo tomou passos positivos, como convidar adversários da corrida eleitoral para o governo, mas faltaria "o passo final, que é a comissão da verdade".

Tudo o que sabemos sobre:
Hondurascrisefalido

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.