Novo governo de Israel põe ortodoxos de lado

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, formou hoje um novo governo com matriz ideológica de direita, mas que pode vir a reduzir drasticamente o papel da religião na política israelense. No entanto, a possibilidade de paz com os palestinos continua incerta.Ao montar sua coalizão, Sharon isolou dois partidos ultra-ortodoxos, aliados tradicionais de seu grupo, o Likud. Em vez disso, o novo governo foi formado em aliança com o secularista Partido Shinui, entregando os ministérios do Interior e da Justiça a políticos inclinados a combater o que vêem como ?coação religiosa?.A questão de como chegar à paz com os palestinos foi relegada para um segundo plano, num reflexo da falta de esperança de muitos israelenses na possibilidade de paz, depois do colapso das conversações em 2001 e o embate, que já dura 29 meses, entre terroristas palestinos, de um lado, e a dura resposta militar israelense, do outro.O líder do Shinui, Yosef Lapid, um ex-jornalista, apóia a noção de um Estado palestino, mas considera a questão delicada enquanto Yasser Arafat, hoje desacreditado perante a opinião pública israelense, permanecer como a principal liderança palestina.Já Sharon se diz pronto para fazer algumas ?concessões dolorosas? aos palestinos, mas não diz quais, e para uma modalidade de Estado palestino. Essa ambivalência parece refletir o segundo parceiro de Sharon na coalizão, o Partido Religioso Nacional. Minoritário, com seis cadeiras no Knesset (Parlamento), contra 15 do Shinai, o PRN é um defensor ferrenho dos assentamentos judeus em território palestino. Se essa coalizão se confirmar, Sharon terá 61 cadeiras no Knesset, o mínimo necessário para formalizar um governo.

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