Novo governo israelense não menciona plano de paz

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, apresentou nesta quinta-feira, para aprovação do Parlamento, a composição de seu novo governo de direita e reiterou sua disposição de fazer "concessões dolorosas" pela paz, mas avisou que o reinício de negociações com os palestinos precisará de aprovação do gabinete.Dois dos quatro partidos da coalizão de Sharon são ferrenhos opositores da independência palestina.As diretrizes do novo governo Sharon promovem a continuidade do "desenvolvimento" dos assentamentos judaicos, mas contêm a promessa de não se construir nenhuma nova colônia nos territórios ocupados.O plano de ação do governo israelense não menciona em nenhum momento o chamado "mapa" para a paz, apoiado pelos Estados Unidos e que determina a criação de um Estado palestino independente e soberano até 2005. O documento diz apenas que o governo tentará um acordo provisório com os palestinos, desde que a violência acabe.Em discurso pronunciado hoje no Parlamento, Sharon disse que "o povo de Israel luta pela paz e estou convencido de que, em troca de paz verdadeira, há a prontidão para concessões dolorosas". Ele não entrou em detalhes.Segundo ele, a prioridade de seu governo será a recuperação da economia do Estado judeu, sugerindo que os esforços para o fim do conflito com os palestinos ficarão em segundo plano. Ele ressalvou, porém, que os palestinos terão de promover reformas em seu governo antes da retomada das negociações de paz.Sharon disse que os palestinos terão de desistir do "direito de retorno" a Israel dos 4 milhões de refugiados e seus descendentes espalhados pelos países vizinhos. Os palestinos recusam-se a abrir mão disso, assim como buscam estabelecer sua capital na tradicionalmente árabe Jerusalém Oriental.As discordâncias sobre essas duas questões levaram ao colapso das negociações de paz no início de 2001.Com relação às colônias judaicas, o novo governo israelense considera "o assentamento em todas as suas formas um importante projeto social e nacional". Nenhuma nova colônia judaica será estabelecida, mas "o governo responderá às necessidades do desenvolvimento desses assentamentos".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.