Novo governo palestino pode ser anunciado em 48 horas

A formação de um novo governo palestino de união nacional poderia ser anunciada em um prazo de 48 horas, asseguraram neste domingo fontes políticas da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O legislador Mustafa Barghouthi, chefe do grupo parlamentar "Palestina Independente", disse à emissora Voz da Palestina que "as coisas progridem rumo a um acordo". "A maior parte (do acordo) foi concretizada e estamos dando os últimos retoques", afirmou o deputado, acrescentando que o anúncio deve ocorrer em um prazo de dois dias. O otimismo do deputado foi respaldado por informações publicadas neste domingo pelo jornal Al-Ayyam, alinhado com o movimento Fatah. Segundo o diário, a única coisa que ainda precisa ser definida é nome do próximo primeiro-ministro. Segundo reportagem do jornal israelense Haaretz, o primeiro ministro não será um membro do Hamas, embora a organização islâmica reivindique um candidato afiliado ao grupo. O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, quer que o novo primeiro-ministro seja totalmente independente. A formação de um governo de união nacional na ANP foi proposta por Abbas há vários meses para tentar resolver a crise humanitária na Cisjordânia e em Gaza, provocada em grande parte pelo boicote internacional - diplomático e econômico - ao Executivo de Ismail Haniye, do Hamas. Nesse sentido, Barghouthi explicou que o acordo se inspirará em um programa de trabalho que satisfaça as demandas internacionais para suspender o boicote. "Já decidimos as alterações que acredito que garantirão a suspensão do boicote aos palestinos", acrescentou. O Hamas e o Fatah concordaram que os novos ministros devem ser tecnocratas escolhidos por todos os partidos que formarão a coalizão, e que a nova plataforma de governo será baseada na "Carta dos Prisioneiros". O documento, assinado por palestinos proeminentes presos em Israel, pede a criação de um Estado palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia que respeite as fronteiras de Israel antes de 1967 - o que implica em um reconhecimento do Estado judeu. A comunidade internacional exige que o governo palestino reconheça o Estado de Israel, aceite os acordos de paz assinados até agora e renuncie à violência, reivindicações que vão contra a carta de fundação do Hamas. Ainda assim, as autoridades israelenses têm objeções ao plano pois este endossa o "direito de retorno" dos refugiados palestinos que perderam propriedades em Israel. Além disso o texto apóia os ataques áreas capturadas durante a Guerra dos Seis Dias (1967), o que inclui áreas na Cisjordânia e leste de Jerusalém.

Agencia Estado,

05 Novembro 2006 | 21h11

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