Novo governo remove símbolos ucranianos

SIMFEROPOL, CRIMEIA - SIMFEROPOL / UCRÂNIA  - Os sinais da república autônoma da Crimeia como parte da Ucrânia estão sendo apagados das principais cidades da península em ritmo acelerado. Se antes mesmo do referendo de domingo as bandeiras ucranianas dos principais prédios, como o Parlamento, já haviam sido substituídas pelas da Rússia, na segunda-feira, 17, o processo se acelerou. Todos os símbolos nacionais passaram a ser trocados, em uma força-tarefa observada pela população - que apoia ou se cala.

Andrei Netto, Enviado Especial / Simferopol, Crimeia, O Estado de S. Paulo

17 de março de 2014 | 23h18

A alteração mais simbólica já havia sido feita na sexta-feira, quando uma gigantesca bandeira da Rússia foi colocada em um dos halls de entrada do "Pentágono", como o prédio hexagonal do Parlamento da Crimeia é paradoxalmente chamado pelos mais jovens. Ontem, na região administrativa de Simferopol, brasões começaram a ser removidos da parede e até planos para substituição das placas de veículos - que trazem o azul e o amarelo da Ucrânia - já estão em curso.

"Eu apoio essas mudanças. Nasci na Crimeia, mas amo a Rússia porque é a nossa pátria-mãe. Meu coração e meu espírito são russos", afirmou Rita Avranyenko, estudante de 17 anos. "É natural para todos nós, que temos pais russos, que agora os símbolos sejam trocados por aqueles do nosso novo país."

Alexander Vityuk, motorista de caminhão de 27 anos, se disse disposto a conduzir os veículos de grande porte que estavam sendo usados para remover um dos brasões da fachada de um prédio na rua principal de Simferopol. "Eu nasci na Rússia e sei que esse é um país poderoso. Todos os problemas da anexação serão resolvidos muito rápido. Seremos anexados e viveremos em paz com a Ucrânia."

Já Tatiana, assistente social de 53 anos - que pediu para não divulgar seu sobrenome -, observava os trabalhos com olhar de reprovação. "Não quero falar sobre o que está acontecendo. Só posso dizer que estou feliz porque tudo vai bem na Crimeia e não acredito mais que haverá conflito armado. O povo aqui não quer guerra. Ao menos isso", afirmou, confirmando apenas com um aceno de cabeça que votou pró-Ucrânia no referendo de domingo.

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