Novo governo terá 'dor de cabeça' com Lima e La Paz

A relação do Chile com seus vizinhos representará o principal desafio da política externa da nova presidente do Chile. No dia 27 de janeiro, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) decidirá sobre o litígio apresentado pelo governo do Peru em 2008, a respeito da fronteira marítima entre os dois países. Analistas estimam que a decisão - cuja data foi anunciada na sexta-feira pelo tribunal - será favorável a Lima, que pede a ampliação de suas águas territoriais.

Guilherme Russo, Enviado Especial / Santiago - O Estado de S.Paulo,

16 de dezembro de 2013 | 02h03

"Tudo vai depender da decisão da CIJ. Mas, para o Chile, qualquer cenário intermediário significará uma perda", disse ao Estado o analista Raúl Sohr. "No Chile, há um ditado: Nenhum presidente pode entregar um país menor do que recebeu."

O analista chileno Patricio Navia, da Universidade de Nova York, considera esse caso o principal problema externo do próximo governo. Segundo o especialista, isso abrirá precedente para outro litígio contra o Chile em Haia: o pedido da Bolívia para que o governo chileno lhe permita uma saída ao mar, apresentado este ano pelo governo do presidente Evo Morales à corte.

La Paz pede uma faixa que lhe permita o acesso ao Pacífico. Chile e Bolívia mantêm laços diplomáticos tensos. Em seu primeiro mandato, porém, Bachelet conseguiu ter uma relação cordial com Evo.

"São quadros difíceis", afirmou Sohr. Na opinião de Navia, em razão de sua posição como "líder regional", o Brasil poderia servir como mediador de um eventual acordo bilateral que permitisse à Bolívia o acesso ao Pacífico.

Ambos os analistas concordam que, em razão tanto das afinidades ideológicas da candidata favorita, Bachelet, quanto das necessidades econômicas do Chile, a política externa aproxime Santiago novamente à União dos Países Sul-Americanos (Unasul), em detrimento da Aliança do Pacífico.

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