Novo governo tunisiano já enfrenta crises internas

Presidente e premiê deixam leganda governista ao mesmo tempo em que partido de oposição sai do governo

Associated Press e Efe

18 de janeiro de 2011 | 16h38

TÚNIS - O presidente interino da Tunísia, Fouad Mebazaa, e o primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, abandonaram nesta terça-feira, 18, sua militância no partido Reunião Constitucional Democrática (RCD), legenda governista durante o regime do ex-líder tunisiano, Zine el Abidine Ben Ali, informou a agência oficial tunisiana "TAP". Ao mesmo tempo, o Fórum Democrático pelo Trabalho e as Liberdades (FDTL), um dos três partidos da oposição legal que integravam o novo governo de transição da Tunísia, anunciou também nesta sua saída.

 

Por sua parte, em um comunicado citado igualmente pela TAP, o RCD anunciou ter expulsado Ben Ali e outros seis colaboradores "de acordo com a investigação levada a cabo no partido após os graves acontecimentos que tomaram o país", nas últimas semanas.

 

Segundo a televisão estatal, o RCD expulsou além de Ben Ali seus principais conselheiros, Ben Dhia e Abdelwahab Benabdellah, além de Belhasan Trabelsi, irmão da esposa do presidente deposto e Sajer el Matteri.

 

Por outro lado, o abandono da militância no RCD por parte do presidente interino e do primeiro-ministro "concreta uma decisão de separação entre os órgãos do Estados e os partidos políticos", de acordo com a agência estatal.

 

O Fórum Democrático pelo Trabalho e as Liberdades (FDTL), um dos três partidos da oposição legal que integravam o novo governo de transição da Tunísia, anunciou também nesta terça sua retirada, da mesma forma que os dois ministros do principal sindicato do país, o UGTT.

 

Fontes do FDTL indicaram à Agência Efe que o partido decidiu "suspender sua participação" no governo enquanto suas exigências em relação à composição do Executivo não forem atendidas.

O secretário-geral da formação, Mustafa Ben Jaafar, foi nomeado ministro da Saúde no novo Gabinete anunciado na segunda-feira pelo primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi.

 

Ben Jaafar rejeitou o cargo, mas continua com Ghannouchi, em coordenação com a União Geral dos Trabalhadores Tunisianos (UGTT), para tentar retirar determinados membros do Agrupamento Constitucional Democrático (RCD), o partido que ocupava o Poder no regime de Zine el-Abidine Ben Ali.

 

As mesmas fontes indicaram que o FDTL exige principalmente a saída de um dos ministros do RCD estreitamente vinculado com Ben Ali, cujo nome não foi informado.

 

Os dois ministros da UGTT, sindicato que desempenhou um papel muito importante na revolta social que forçou a queda de Ben Ali, anunciaram nesta terça-feira sua renúncia em protesto pela formação do governo.

 

A direção do sindicato decidiu não reconhecer o Executivo, declarou à Efe Lutfi Jalamumi, principal conselheiro do secretário-geral da UGTT.

 

O novo governo de transição tunisiano mantém em todos os postos importantes, como Interior, Exteriores, Defesa e Finanças, seis ministros do RCD, além de outros seis membros da formação em departamentos de menor peso.

 

Os anúncios geraram uma nova onda de protestos em Túnis e em várias regiões do país. Parte dos manifestantes demanda a saída dos ministros da RCD do governo, e pedem a dissolução dessa formação.

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