Novo grupo assume ataques contra os EUA no Afeganistão

Um novo grupo autodenominado "Exército Secreto de Mujahedeen" assumiu responsabilidade por ataques contra tropas dos EUA no Afeganistão em folhetos escritos em árabe que apareceram no leste do país nos últimos dias. O grupo, anteriormente desconhecido, prometeu vingar a morte de afegãos em "fogo amigo" dos EUA em sua busca pela Al-Qaeda e Taleban.Apesar de panfletos semelhantes terem aparecido de tempos em tempos desde que os Estados Unidos declararam guerra ao Afeganistão este é incomum por ter sido escrito numa língua que poucos afegãos falam e conseguem ler.O documento foi aparentemente escrito para milhares de árabes, a maioria supostos integrantes da Al-Qaeda, que ainda podem estar escondidos em remotas montanhas do leste.Os autores do panfleto de seis páginas não se identificam como antigos integrantes nem da Al-Qaeda nem do Taleban, mas afirmam que o grupo tem três objetivos: "vingar os mártires inocentes do brutal bombardeio dos EUA no Afeganistão; continuar com a jihad (guerra santa) até que o último soldado estrangeiro seja expulso do Afeganistão; e defender a fé (muçulmana) e liberdade para se estabelecer uma ordem islâmica".No quartel-general norte-americano em Bagram, ao norte da capital afegã Cabul, o porta-voz dos EUA, coronel Roger King, disse desconhecer o grupo e recusou-se a discutir ameaças. Entretanto, se o Exército Secreto Mujahedeen existir, significaria que um novo grupo emergiu como uma força unida contra a coalizão antiterrorista 10 meses depois que o regime islâmico radical desmoronou.O panfleto descreve o presidente afegão Hamid Karzai como um "escravo" dos norte-americanos devido ao apoio dos EUA a Karzai, que ganhou um mandato de 18 meses durante um encontro de afegãos em junho em Cabul. "Não existe paz nem estabilidade no Afeganistão", afirma o panfleto. "Hamid Karzai está sentado em Cabul como um títere".No mês passado, os guarda-costas afegãos de Karzai foram demitidos e substituídos por integrantes das Forças Especiais dos EUA devido a preocupações com a segurança. Os autores do folheto afirmam já ter executado 21 ataques contra os militares dos EUA no Afeganistão entre 1º de junho e 31 de agosto. O panfleto termina afirmando que "a jihad contra as forças americanas é compulsória e a jihad contra os fantoches dos americanos também é compulsória".

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