Lucy Nicholson/Reuters
Lucy Nicholson/Reuters

Novo grupo de brasileiros deportados chega a Belo Horizonte

Avião com mais de 110 pessoas que aterrissou no aeroporto de Confins é o sexto a trazer migrantes ilegais

Leonardo Augusto, especial para O Estado

02 de março de 2020 | 22h49

BELO HORIZONTE - “Disseram que levando crianças a entrada (nos Estados Unidos) era certa”, disse o pedreiro Reginaldo Aparecido Pereira de Oliveira, de 29 anos, que desembarcou por volta das 13h30 desta segunda-feira, 2, no Aeroporto Internacional de Confins, na Grande Belo Horizonte, juntamente com a mulher, Vanilda Martins de Oliveira, de 30 anos, e os dois filhos, um de 4, outro de 8 anos. 

A família chegou ao Brasil no sexto voo fretado pelo governo de Donald Trump para deportar brasileiros que tentaram entrar nos EUA ilegalmente através do México. Além da família, pelo menos outras 110 pessoas estavam no avião que aterrissou em Confins.

A família é de Marilac, Região Leste de Minas, município que fica a 370 quilômetros de Belo Horizonte. Os quatro viajaram inicialmente para o México, em 3 de fevereiro. Foram para Cancún, no Golfo do México, e depois para Mexicali, na fronteira do país com os EUA. Toda a viagem, até Mexicali, na Baixa Califórnia, foi feita de avião. No dia 7 de fevereiro, ao tentarem cruzar a fronteira, foram interceptados pela polícia e levados para um centro de imigração.

A intenção de Reginaldo era, depois de conseguir entrar nos EUA, começar trabalhar no setor de construção civil em Boston, onde tem amigos. 

Assim como outros deportados, Reginaldo reclamou muito do período em que a família ficou no centro de imigração na fronteira com os EUA. “Nesses 25 dias que ficamos lá só nos davam burritos (prato tipicamente mexicano feito de tortilha com recheio geralmente de carne moída e feijão). Era burrito no café da manhã, burrito no almoço. No fim da tarde, na última refeição do dia, era sanduíche e leite frios”, relata o pedreiro. 

Reginaldo disse ainda que todos os imigrantes ilegais são maltratados e humilhados pelos encarregados de segurança no centro de imigração. “Você não pode nem sequer fechar a porta do banheiro ao usá-lo”, disse. Ele acredita que isso é uma “pressão psicológica”, parte de estratégia para evitar que outras pessoas tentem cruzar a fronteira do México com os EUA ilegalmente. “Falam que lá se ganha um bom dinheiro, mas agora é recomeçar. Vou voltar para Marilac e tentar um emprego”, afirmou.

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