Alkis Konstantinidis/Reuters
Alkis Konstantinidis/Reuters

Novo incêndio se forma no campo de refugiados de Moria, na Grécia

Locais ainda não tinham sido atingidos pelas chamas que tomaram parte do centro de imigrantes na ilha de Lesbos pouco menos de 24 horas antes

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 16h39

ATENAS - Um novo incêndio se formou na tarde desta quarta-feira, 9, no campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia, em locais que ainda não tinham sido atingidos, menos de 24 horas após a maior parte do centro de imigrantes ser tomada por chamas.

As famílias que continuaram no centro porque não ainda não tinham sido alcançadas pelo fogo tiveram de correr para fugir, muitas com bebês no colo, segundo a imprensa local. Um densa fumaça preta cobriu o céu em toda a região, que recebeu o reforço da polícia e do corpo de bombeiros.

Embora as pessoas tenham condições de sair da zona de perigo imediato, não podem chegar à capital da ilha de Lesbos, Mitilene, devido ao cordão policial que bloqueia todo o acesso à cidade para evitar a propagação do coronavírus.

As pessoas que tiveram de fugir do campo se uniram aos milhares de migrantes que esperam para serem transferidos a acampamentos ou barcos que servirão de alojamento provisório.

A expectativa é que três barcos - um comercial e dois da Marinha - cheguem a Lesbos para alojar temporariamente cerca de mil das 3,5 mil pessoas que ficaram sem teto. O plano do governo é que o restante das pessoas continue nos arredores do campo de Moria, em tendas deslocadas de outras ilhas.

O incêndio ocorrido na madrugada passada, que não deixou vítimas, destruiu 80% do interior do campo, mas muitas partes do olival que circunda o campo - onde vivia a maioria dos imigrantes - puderam ser salvas.

O campo estava em quarentena havia uma semana, após o surgimento de um primeiro caso de covid-19 em um refugiado somali e de 35 pessoas que tiveram contato com ele.

O incêndio começou depois que as autoridades comunicaram a essas pessoas que elas deveriam ser isoladas, circunstância que o governo grego considera uma prova de que o incêndio foi intencional. Segundo o ministro da Migração, Notis Mitarakis, as autoridades só encontraram 8 dessas 35 pessoas. O restante parece estar misturado entre a população que fugiu do campo.

Desde meados de março, medidas rigorosas foram impostas nos acampamentos de imigrantes. ONGs de defesa dos direitos humanos fizeram várias críticas, alegando se tratar de uma política "discriminatória", em especial depois que o país começou a entrar no desconfinamento no início de maio.

As organizações criticam o campo de Moria por sua falta de higiene e superlotação. Também defendem a transferência dos demandantes de asilo mais vulneráveis.

Distúrbios e confrontos são quase diários. De janeiro a agosto, cinco pessoas foram esfaqueadas em mais de 15 ataques. Em março, uma menina morreu em um contêiner queimado. Em setembro de 2019, duas pessoas faleceram em um incêndio. /EFE e AFP

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