REUTERS/Marcos Brindicci
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Novo juiz assume processo contra Cristina no caso Amia

Após recurso de associação judaica, Ariel Lijo substituirá Daniel Rafecas, que arquivou o caso anterior 

O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2016 | 20h26

BUENOS AIRES - A Justiça argentina designou nesta sexta-feira, 30, um novo juiz para o caso que retoma a denúncia feita pelo promotor Alberto Nisman, encontrado morto em 2015. O escândalo envolve o encobrimento por membros do governo argentino dos responsáveis pelo atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, que deixou 85 mortos. 

A Justiça argentina havia determinado o afastamento do juiz Daniel Rafecas do caso. Hoje, por sorteio, o escolhido foi o magistrado Ariel Lijo. O caso Amia foi reaberto e passou a ser o terceiro processo na Justiça pelo qual a ex-presidente Cristina Kirchner tem de responder. 

A decisão foi tomada após a Primeira Sala da Câmara Penal de Buenos Aires reabrir a denúncia que Nisman apresentou antes de ter sido encontrado morto em seu apartamento em Buenos Aires. 

Lijo já havia trabalhado brevemente no caso, mas o deixou de lado para julgar um processo similar, que analisava o envolvimento do ex-presidente Carlos Menem com o atentado. 

Segundo a denúncia, Cristina teria acobertado dirigentes iranianos envolvidos no ataque à associação judaica, em Buenos Aires.

Hoje, a Justiça determinou o prosseguimento da denúncia, arquivada após a morte de Nisman em condições ainda não esclarecidas, atendendo a um recurso da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia).

Manobra. De acordo com o tribunal, a hipótese acusatória da Daia estaria relacionada a uma manobra arquitetada para retomar as relações comerciais da Argentina com o Irã em troca da impunidade dos iranianos envolvidos.

Quatro dias antes de morrer, em 18 de janeiro de 2015, Nisman acusou Cristina Kirchner e o ex-chanceler argentino, Héctor Timerman, de tentar encobrir a responsabilidade dos autores do ataque à Amia. Pelo acordo fechado por Cristina, uma delegação internacional de juristas ficaria incumbida de interrogar ex-funcionários do governo de Teerã. O Irã, no entanto, jamais cumpriu o acerto. / AFP e EFE

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