REUTERS/Jonathan Ernst
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Novo juiz da Suprema Corte é inocente de todas acusações, diz Trump

Em cerimônia para celebrar a confirmação de Brett Kavanaugh, presidente americano pediu desculpas ao magistrado e a sua família pela 'dor e sofrimento que tiveram que passar' durante o conturbado procedimento de confirmação no Senado

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 22h07

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira, 8, que foi provado que o novo juiz da Suprema Corte americana, Brett Kavanaugh, é inocente de todos os abusos sexuais de que foi acusado por pelo menos três mulheres. O republicano fez a declaração durante cerimônia na Casa Branca para celebrar a nomeação de Kavanaugh, confirmada no sábado pelo Senado após  longa batalha política.


Sem mencionar as acusações de abuso sexual, nem citar Christine Blasey Ford, a mulher que denunciou ao Senado os supostos abusos de Kavanaugh a ela quando os dois eram estudantes, Trump condenou duramente o processo a que o juiz foi submetido. "Em nome de todo país, quero me desculpar com Brett e com toda a família Kavanaugh pela dor e sofrimento que tiveram que passar", afirmou o presidente ao iniciar a cerimônia.



Trump ainda descreveu as denúncias como uma campanha de destruição pessoal e política com base em mentiras. Após o testemunho de Christine, o governante autorizou o FBI a investigar as acusações contra o juiz, mas o órgão entrevistou número um limitado de testemunhas em apenas cinco dias e não emitiu nenhum veredicto, seja culpando ou inocentando o jurista.


Kavanaugh, acompanhado por sua mulher e duas filhas na cerimônia, agradeceu o apoio de Trump durante o trâmite no Senado e afirmou que isso o pôs a prova, mas não o mudou. "Esse processo acabou. Meu objetivo agora é ser o melhor juiz que eu possa ser. Assumo este trabalho com gratidão e sem ressentimentos", assegurou o magistrado, que também prometeu ser uma força de estabilidade e unidade.


Mais cedo, Trump havia se deleitado com o que possivelmente é a maior, e mais complicada, vitória de sua polêmica presidência. A confirmação, no sábado, da indicação de Kavanaugh mostrou a polarização dos americanos antes das eleições de meio de mandato, em 6 de novembro, nas quais os democratas esperam acabar com o domínio republicano no Congresso.



A indicação de Kavanaugh em substituição ao juiz aposentado Anthony Kennedy foi polêmica desde o início. Os democratas se esforçaram para impedir a candidatura, focando inicialmente nas posições conservadoras do juiz.


A margem de vitória de dois votos a favor do magistrado no Senado - ele foi aprovado com 50 votos favoráveis e 48 contrários - tornou esse procedimento de confirmação para a Suprema Corte o mais apertado desde 1881, e o mais polêmico desde Clarence Thomas, então acusado de assédio sexual, em 1991. Apenas um democrata votou pelo candidato de Trump.


Agora que Kavanaugh está confirmado, espera-se que o tribunal de nove juízes, que analisa as questões constitucionais, adote um enfoque mais conservador. Dado também que os juízes estão em um cargo vitalício, é provável que as consequências políticas durem muito além da administração Trump. / EFE e AFP

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