Novo julgamento para Mubarak aumenta volatilidade no Egito

Decisão, anunciada neste domingo às vésperas de segundo aniversário da revolução, terá desfecho incerto para futuro do país.

BBC Brasil, BBC

13 de janeiro de 2013 | 13h39

A Justiça egípcia definiu neste domingo que o ex-presidente Hosni Mubarak seja julgado novamente, em decisão que reabre feridas recentes do país e aumenta a volatilidade social e política.

Mubarak, de 84 anos e saúde aparentemente debilitada, foi derrubado em 2011 após uma onda de protestos contra suas três décadas de governo. Em junho, ele foi condenado à prisão perpétua, por cumplicidade na morte de cerca de 850 manifestantes durante os distúrbios no país.

Neste domingo, porém, o juiz Ahmed Ali Abdel Rahman anunciou que "a corte aceitou o recurso dos réus e determina um novo julgamento".

Simpatizantes de Mubarak logo comemoraram a decisão, mas seu desfecho é incerto até mesmo para o ex-presidente, explica o repórter da BBC no Cairo, Aleem Maqbool.

Isso porque, com o julgamento na estaca zero, Mubarak voltará a ser julgado por acusações mais sérias envolvendo seu regime, além de acusações de corrupção, pelas quais foi absolvido em junho.

À época de sua condenação, muitos críticos do regime consideraram sua pena muito branda, fazendo com que até o novo presidente egípcio, o islâmico Mohammed Morsi, levantasse a bandeira de um novo julgamento.

O ex-ministro do Interior de Mubarak, Habib al-Adly, também voltará ao banco dos réus.

'Mais derramamento de sangue'

A decisão judicial ocorre às vésperas do segundo aniversário do início da revolução egípcia, que deve ser comemorada por manifestações da oposição (formada por liberais, cristãos e seculares) no próximo dia 25.

Para muitos desses críticos, uma condenação mais branda para Mubarak vai ser interpretada como um retrocesso da revolução egípcia.

"Se (em um novo julgamento) Mubarak obtiver uma sentença mais leve, isso vai reacender a revolução e haverá mais derramamento de sangue", disse à agência Reuters um engenheiro cairota.

Além disso, o novo julgamento de Mubarak pode influenciar as campanhas para as eleições parlamentares egípcias de abril. Na análise do New York Times, isso pode fortalecer candidatos islâmicos, que tentarão capitalizar sobre a "punição branda" dada ao ex-presidente na sentença inicial.

Ao mesmo tempo, o Egito tenta acalmar as tensões políticas para reavivar sua economia, mas o novo governo de Morsi também tem sido alvo de distúrbios.

Recentemente, o país aprovou em referendo uma nova Constituição, criticada por cristãos e seculares por, em sua visão, favorecer os islâmicos e não garantir plenamente a liberdade de expressão e religião.

Mesmas provas

Um dos advogados de Mubarak, Mohamed Abdel Razek, disse neste domingo à Reuters que o novo julgamento será baseado nas mesmas provas que o anterior. "Nenhuma evidência nova será adicionada ao processo", afirmou.

Segundo ele, um novo painel de juízes poderá levar em conta o estado de saúde do presidente ao emitir um novo veredicto.

À pedido de promotores, a Justiça também voltou atrás na absolvição de Mubarak, dois de seus filhos e um empresário nas acusações de corrupção.

Atualmente o ex-presidente está internado em um hospital militar. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
topegitomubarakjulgamentomorsi

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.