Novo líder chinês adota discurso popular e pragmático

Xi Jinping foge de jargões usados pelo antecessor e tenta se aproximar da população em seu primeiro pronunciamento

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h02

Onipresentes nos discursos de Hu Jintao, o marxismo-leninismo, o pensamento de Mao Tsé-tung e a teoria de Deng Xiaoping estavam ausentes das primeiras declarações públicas de Xi Jinping como novo chefe supremo do Partido Comunista da China. Suas únicas concessões ao jargão esquerdista foram "camaradas" e "socialismo com características chinesas", ainda assim em pequenas doses.

Integrante de uma linhagem revolucionária - seu pai lutou ao lado de Mao Tsé-tung -, Xi Jinping exibiu a confiança dos que se consideram destinados ao poder. Apesar de ler seu discurso, ele olhou várias vezes para o público que lotava a sala do Grande Palácio do Povo onde a nova liderança chinesa foi apresentada.

Acenou, sorriu e, antes de começar a falar, desculpou-se pelo atraso de quase uma hora no início da cerimônia - algo que estava fora do script distribuído posteriormente. "Xi Jinping usou uma linguagem normal, do dia a dia", observou o sinólogo francês Jean-Pierre Cabestan, professor da Universidade Batista de Hong Kong. Segundo ele, o discurso de Hu Jintao era "patético", recheado de jargões e fórmulas vazias, como a Perspectiva Científica do Desenvolvimento, que quase nenhum chinês consegue entender. "As pessoas estão fartas e não querem mais escutar isso."

O novo líder mencionou os 5 mil anos de civilização chinesa, as turbulências enfrentadas nos séculos 19 e 20 e a "renovação" liderada pelo Partido Comunista. Acima de tudo, falou de maneira clara das preocupações que afligem a população: emprego, moradia, saúde, seguridade social e meio ambiente. Também deu destaque ao combate à corrupção, que ameaça a reputação da organização e seus dirigentes.

"Dentro do partido, há muitos problemas que precisam ser enfrentados, especialmente problemas entre membros e dirigentes do partido de corrupção e recebimento de propinas, de estar fora do alcance das pessoas e a indevida ênfase em formalidades e na burocracia", declarou Xi Jinping.

Neste ano, o partido foi chacoalhado por sua maior crise em duas décadas, que levou à expulsão de um de seus principais líderes, Bo Xilai, ex-dirigente de Chongqing . A nova cúpula do partido apareceu em público pela primeira vez às 11h55 de ontem (1h55, horário de Brasília).

Os sete integrantes do Comitê Permanente do Politburo entraram em fila no Salão Leste do Grande Palácio do Povo, na Praça Tiananmen. Todos tinham cabelos pintados de preto, ternos da mesma cor, camisas brancas e gravata. Os únicos que acenavam para o público eram Xi e Li Keqiang, que vão liderar o colegiado que comandará a China pelos próximos cinco anos. / C.T.

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